<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950</id><updated>2012-01-03T12:18:42.048-08:00</updated><category term='sacrifício animal'/><category term='holocausto animal'/><category term='Jean-Cristophe'/><category term='conto'/><category term='religiões'/><category term='poesia'/><category term='natal'/><category term='Jonathan Swift'/><category term='Literatura'/><category term='Vegetarianismo'/><category term='ficção científica'/><category term='Rafael Jacobsen'/><category term='Bashevis Singer'/><category term='invisíveis'/><category term='As Viagens de Gulliver'/><category term='Filosofia'/><category term='Brian Aldiss'/><category term='Romain Rolland'/><category term='poema'/><category term='judaísmo'/><category term='sacrifícios'/><category term='Tolstói'/><category term='extraterrestres'/><category term='Rafael Bán Jacobsen'/><title type='text'>Resistência Vegana Literária</title><subtitle type='html'>Este blog tem por fim dar voz a um outro viés argumentativo da defesa dos animais; um que prime por atingir as pessoas através do sentimento, e não da razão. Este diário é uma iniciativa do Núcleo de Estudos Vegetarianos de Brasília, associado à SVB.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Daniel Kirjner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17675316358027126927</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-4317647606057040203</id><published>2011-10-21T08:08:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T08:16:41.099-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='invisíveis'/><title type='text'>Os mais invisíveis do mundo</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Leonardo Ortegal&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eles estão entre nós. Não são os ET´s, e estão invisíveis. Não são pretos, nem putas, mas nos servem como escravos há séculos, e tem seus corpos atravessados, como objetos, para a satisfação de nosso desejo hedonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles são tratados do jeito que se trata as minorias: suas necessidades são subjugadas, suas dores, menosprezadas, e sua fragilidade se transforma em degraus para que passem em ascensão aqueles que detém o poder. Mas acontece que, como várias minorias, eles não são minoria. Na verdade eles já chegam a ser maioria, como uma manifestação epidêmica da nossa própria doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil é um país enorme, mas mesmo assim são muitos os homens que não possuem um teto para morar, ou um pedaço de chão para cultivar. Esse paradoxo se mistura a um outro, pois esse mesmo país que abriga 190 milhões de cabeças humanas, e deixa milhões sem ter onde dormir ou cair morto é o mesmo país que oferece terra, água, abrigo, alimento e assistência médica a mais 200 milhões de cabeças que não são humanas, mas são animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animais não humanos, que vivem nas terras do mundo, e vem e vão como estalos errantes. Hoje se entra em setembro, e não passará o mês sem que morram aos milhares sem fim as galinhas ‘adultas’ que, ontem ainda, saíram do ovo. Tiveram suas vidas acachapadas, seus anos reduzidos a pobres semanas de clausura. Cruzaram o Brasil sobre rodas de enormes carretas, no vento, no sol, no frio e na chuva, e ninguém viu. Seus corpos banhados com óleo e queimados na chapa, servidos nos pratos, tragados aos tratos digestórios dos homens, e ninguém as notou. Setembro será mais um mês. Um rio Araguaia de sangue de aves correu no país, e que venha outubro em seus ventos de morte.&lt;br /&gt;Na Europa os homens têm bom coração. Se compadecem das barrigas em fome, e chegam a pagar ao Brasil para que faça mais soja - nem que para isso precise tornar em cinzas os verdes frondosos da nossa Amazônia. Barrigas tem fome e precisam comer. São vacas e bois aos milhares, que, desafortunados, não contam com o pasto abundante do nosso país. Mas contam com a soja abundante, com o cheiro da fumaça do cerrado que agora é deserto, e vai de navio até suas bocas. Comida importada. Até que não são tão invisíveis assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo tem cheiro de diesel. Diesel e peido. O peido assassino que lhe queima os cabelos das narinas até pode ter vindo do seu colega de trabalho. Mas o peido potente, o metano que queima a camada de ozônio e transforma o planeta em estufa, é obra dos cus invisíveis. A usina de flato animal tem filiais espalhadas nos quatro cantos da terra, e consegue poluir os ares mais do que todos veículos a motor desse mundo, é o que dizem as Nações Unidas. Produção diuturna de gases invisíveis, só não tão invisíveis quanto os seus próprios emissores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decapitação, eletrocussão, esquartejamento, degolação. Vivemos o enredo de um filme de terror onde o sangue não é de tomate. Um festival doentio de mortes, cuja variedade e criatividade sádica põe catatônicos os mais bizarros roteiristas de todos os tempos. Caldeiras de água fervente para o mergulho dos vivos, serras para extirpar bicos, para extirpar testículos, máquinas de empurrar maisena e gordura de porco direto nos fígados, e um imenso triturador, para transformar os nascidos defeituosos, ainda vivos, em ração para os demais. São estes alguns dos itens da trama de Os mais invisíveis do mundo, o thriller que nunca saiu de cartaz, e que ninguém se propõe a assistir.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;(publicado também no jornal &lt;a href="http://www.miraculoso.com.br/"&gt;O MIRACULOSO&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-4317647606057040203?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/4317647606057040203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=4317647606057040203&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/4317647606057040203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/4317647606057040203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2011/10/os-mais-invisiveis-do-mundo.html' title='Os mais invisíveis do mundo'/><author><name>ortegal</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/_tJRIMxIcXac/S-dIDGYDoRI/AAAAAAAAAK4/tEKgU0-1KPE/S220/leo_pictures_08.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-7889387385143833210</id><published>2011-10-14T15:48:00.000-07:00</published><updated>2011-10-14T15:59:38.913-07:00</updated><title type='text'>Sabe de uma coisa?</title><content type='html'>Sabe de uma coisa? Essa foto tem conteúdo impróprio. Alguns argumentariam:  “é um absurdo!”; e mudariam para um sítio de pornografia pacífica e cristã. Outros, estupefatos, talvez empreendessem uma corrida frenética para a cozinha, em busca dos nuggets remanescentes, para realizar o bom e velho “croc-croc”. Certamente, esta imagem pode espremer os calos do pé esquerdo de um cidadão maravilhosamente ordinário. E, comumente, provocaria a ira de bastiões da “magnânima” evolução da espécie humana. Pintariam-me abjeto nos comentários: “Maldito vegan hipócrita!”; “Com certeza não tem mãe!”; “Tu és um exemplo de capitão fascista!”. E como vingança pessoal, engoliriam um bife a seco, sem mastigar e – logo após – exalariam gazes triunfantes de alegria, delirando em poema decorado: “Eu não ligo! Eu não ligo!”.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, depois, embevecidos de um aroma particular, voltariam para uma existência própria e financeiramente objetiva: o sono não remunerado. Como o sexo é vendido nas esquinas, o sono é a única capacidade inexoravelmente não-comercial do ser humano; não se pode vender, nem comprar. Ou se tem ou não tem; está com ele ou não está. É nele que vive o sonho, patético, algoz da realidade insuportável. Nesta atmosfera idílica, surge um desejo, impossível a todos os seres. O bastião da moralidade churrasqueira sugere para si, em sonho, um inexorável bife. Uma peça que simboliza quase um monumento em homenagem à baba que escorre no canto esquerdo da boca humana. E nesse filé, magnânimo em sua forma, não existe o azulejo branco como sangue, as tripas correndo para fora, o grito de dor. É uma peça inocente, mais doce que Marília de Dirceu e Inocência besuntadas em melado de cana. Irônica como uma mentira deve ser. Por mais determinado que seja o sujeito, ninguém sonha – nem mesmo o mais convicto dos defensores da supremacia humana – com um suposto abate orgástico e emocionante de um animal que agoniza. O sofrimento algumas vezes é o contra-senso do prazer, e o prazer é egoísta...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-7889387385143833210?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/7889387385143833210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=7889387385143833210&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7889387385143833210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7889387385143833210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2011/10/sabe-de-uma-coisa.html' title='Sabe de uma coisa?'/><author><name>Daniel Kirjner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17675316358027126927</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-7826328104908461019</id><published>2011-09-25T17:31:00.000-07:00</published><updated>2011-09-25T17:38:05.023-07:00</updated><title type='text'>“O Planeta dos Macacos”: confluências entre humanidade, racionalidade e opressão</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-priority:99;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin-top:0cm;  mso-para-margin-right:0cm;  mso-para-margin-bottom:10.0pt;  mso-para-margin-left:0cm;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Calibri;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:right" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;Rafael Bán Jacobsen&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;Em 1963, o engenheiro e escritor francês Pierre Boulle&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;(Avignon, 20 de fevereiro, 1912 – Paris, 30 de janeiro, 1994) publicou o romance “La Planète des Singes” (“O Planeta dos Macacos”), obra de ficção científica que acabaria sendo mais conhecida do grande público através da sua adaptação cinematográfica de 1968, dirigida por Franklin J. Schaffner e estrelada por Charlton Heston. O livro de Boulle é um exemplo de crítica social por meio da distopia, isto é, trata-se de uma ficção cujo valor representa a antítese da filosofia utópica, descortinando alegoricamente mazelas humanas e sociais tais como a corrupção, o preconceito, a sede por poder, o totalitarismo e o autoritarismo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Entre tantas possibilidades de leitura para o texto de Boulle, uma das mais ricas e menos debatidas é a crítica à dominação dos humanos sobre os animais não-humanos, especialmente no que diz respeito à polêmica questão da experimentação animal.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Resumidamente, o livro tem a forma de um diário de bordo escrito por um astronauta terráqueo chamado Ulysse Mérou, que, acreditando ser o último ser humano restante no universo, escreveu a sua história na esperança de que alguém a ache. Ele narra sua viagem até os arredores da estrela Betelgeuse, onde ele e seus companheiros de bordo descobrem haver um planeta muito similar à Terra, ao qual dão o nome Soror (“irmã”, em latim). Aterrissando no planeta, descobrem ser possível respirar-lhe o ar, beber-lhe a água e comer da vegetação local. Logo encontram outros seres humanoides no planeta, muito embora estes ajam primitivamente como chimpanzés e mostrem terrível aversão a instrumentos e objetos manufaturados em geral, razão pela qual atacam os astronautas recém-chegados, destruindo-lhes as roupas. De fato, é grande a surpresa dos terráqueos diante da “bestialidade” daqueles seres de aparência tão familiar:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Em algum momento durante a viagem, havíamos discutido nosso eventual encontro com seres vivos, e tínhamos vislumbrado com os olhos da mente criaturas monstruosas, disformes, com aspecto físico muito diferente do nosso, mas sempre imaginávamos, de modo implícito, a presença de uma mente. No planeta Soror, a realidade parecia ser bem o oposto: tínhamos de lidar com habitantes que se assemelhavam a nós em todos os aspectos físicos mas que pareciam completamente desprovidos do poder da razão. Esse era, deveras, o significado da expressão que eu havia achado tão perturbadora em Nova e que agora eu via nos demais: uma falta de reflexão consciente, a ausência de inteligência. &lt;/i&gt;(BOULLE: 1966, p. 31)&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt; &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Uma interrogação que poderia inquietar Ulysse e seus companheiros de viagem frente a tal realidade é se esses seres, tão aparentemente humanos mas tão essencialmente esvaziados de tudo que, no senso comum, caracteriza o “ser humano” (linguagem, raciocínio, consciência), devem “contar como humanos”, ou seja, se esses seres devem, em tese, possuir o mesmo status moral dos homens civilizados que habitam a Terra. Dilema similar é colocado &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-size:12.0pt;" &gt;pelo&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri; mso-fareast-font-family:Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt; biólogo Richard Dawkins, em seu recente livro &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-language:PT-BR;font-size:12.0pt;" &gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family: Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;Deus, um delírio&lt;/span&gt;&lt;span style=" mso-fareast-language:PT-BR;font-size:12.0pt;" &gt;”&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri; mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;, no trecho em que&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-language:PT-BR;font-size:12.0pt;" &gt; propõe uma interessante situação hipotética para&lt;/span&gt;&lt;span style=" mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri;mso-hansi-font-family: Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt; analisa&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-language:PT-BR;font-size:12.0pt;" &gt;r&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family: Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-size:12.0pt;" &gt;a “sacralização da vida humana” que é, muitas vezes,&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family: Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt; t&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-size:12.0pt;" &gt;omada como argumento por &lt;/span&gt;&lt;span style=" mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri;mso-hansi-font-family: Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;ativistas antiaborto:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;(...) &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri; mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;" &gt;imagine que uma espécie intermediária, o &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri; mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;" &gt;Australopithecus afarensis&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;, por exemplo, tivesse conseguido sobreviver e fosse descoberta numa área remota da África. Essas criaturas “contariam como humanas” ou não? (...) O absolutista (a favor da superioridade da vida humana) precisa responder à pergunta, para aplicar o princípio moral de garantir aos seres humanos um status único e especial, porque eles são humanos. No extremo, eles teriam que criar tribunais, como aqueles da África do Sul no apartheid, para decidir se um indivíduo específico deveria “passar como humano”.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family: Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Mesmo que se tente dar uma resposta clara para o &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri; mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;" &gt;Australopithecus&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;, a continuidade gradativa que é característica inescapável da evolução biológica diz-nos que tem de haver algum intermediário que fique suficientemente perto do “limite” a ponto de obscurecer o princípio moral e destruir seu absolutismo. Um jeito melhor de dizer isso é afirmando que não há limites naturais na evolução. A ilusão de um limite é criada pelo fato de que, por acaso, os intermediários evolutivos estão extintos. (...) O fato da evolução derruba de forma devastadora a discriminação moral absolutista. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;(DAWKINS: 2007, p. 386-387)&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Entre tantas descobertas, os astronautas terráqueos não têm muito tempo para indagações e estabelecem-se com os humanos primitivos por alguns dias, na esperança de que possam civilizá-los, e Ulysse apaixona-se por uma deles, a qual passa a chamar de Nova. Porém, certo dia, uma inesperada situação se impõe, um acontecimento que ilustra de maneira ainda mais dramática o latente dilema das nebulosas fronteiras do humano: surge um grupo de caçadores na floresta, consistindo de gorilas, orangotangos e chimpanzés que se vestem como os humanos da Terra e usam armas e máquinas. Os caçadores alvejam vários dos humanos por pura diversão e capturam outros, inclusive o protagonista, o qual, analisando o comportamento dos símios, observa:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Eu havia acompanhado a mudança na sua expressão desde o momento em que foi alertado pelo ruído e registrei vários aspectos surpreendentes: antes de mais nada, a crueldade do caçador perseguindo sua presa e o prazer febril que obtinha desse passatempo; mas, sobretudo, o caráter humano de sua expressão – nos olhos desse animal, havia uma fagulha de entendimento que eu havia em vão buscado nos homens de Soror. &lt;/i&gt;(BOULLE: 1966, p. 42)&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;É digno de nota que, no texto, o “caráter humano” de um habitante de Soror apareça inserido em uma cena de violência, justaposto à perversidade, sinalizando que, talvez, a verdadeira essência do humano não seja pureza, nobreza ou qualquer qualidade elevada do espírito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Enquanto a maioria dos humanos apreendidos pelos caçadores é vendida para trabalhos manuais, o protagonista e Nova acabam em uma instituição de pesquisadores que fazem experimentos sobre a inteligência humana. É apenas nesse momento que os questionamentos de natureza biológica e moral começam a perpassar a mente de Ulysse:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Homens! De que raça eram então os seres que os macacos haviam matado e capturado? Algum tipo de tribo atrasada? Se era esse o caso, quão cruéis eram os soberanos desse planeta ao tolerar e talvez decretar tais massacres!&lt;/i&gt; (BOULLE: 1966, p. 53)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;No centro de pesquisas, as habilidades e a capacidade cognitiva de Ulysse chamam a atenção da Dra. Zira, uma chimpanzé que ali trabalha como pesquisadora. Pouco a pouco, Ulysse revela a Zira todo o seu conhecimento e a verdade sobre sua origem. A partir de então, em segredo, Zira passa a ensiná-lo a língua símia e diversas coisas acerca do planeta dos macacos, sua história, sua política, sua ciência. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Em seus diálogos com Ulysse, Zira revela muito de como os macacos enxergam a si próprios, e essa autoimagem, idealizada e divinizada, é perfeitamente análoga à nossa concepção religiosa do “homem concebido à imagem e semelhança de Deus”:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;‘O que você acha?’, ela disse. ‘O macaco é, obviamente, a única criatura racional, a única que possui uma mente e também um corpo. Mesmo os mais materialistas dentre os nossos cientistas reconhecem a essência sobrenatural da mente símia. &lt;/i&gt;(BOULLE: 1966, p. 83)&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Em dado momento, Ulysse conhece o noivo de Zira, chamado Cornélius, um cientista jovem porém muito conceituado. Embora os chimpanzés Zira e Cornélius estejam convencidos de que Ulysse é um ser racional, os orangotangos, que regem a sociedade, acreditam que ele finja entendimento da língua, porque a sua filosofia não permite pensar em humanos inteligentes. Com a ajuda de Cornélius, Ulysse consegue a oportunidade de fazer um discurso em uma conferência anual de biologia, diante de diversos cientistas, jornalistas e autoridades do mundo símio. Essa passagem do romance é especular e, portanto, complementar a&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri; mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;o conto “Informação para uma Academia”,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt; do escritor tcheco &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri; mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;Franz Kafka (1883-1924)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;, que narra a história de &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri; mso-fareast-font-family:Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;Pedro Rubro, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;um macaco educado que comparece perante &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri; mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;os membros de uma academia para contar a história de sua vida, de sua ascensão de fera a algo próximo do homem. Com a figura de um macaco falante, de gravata-borboleta, smoking e com o bloco de notas da palestra em punho&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;, Kafka derruba a auto&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri; mso-fareast-font-family:Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;proclamada fronteira que o homem estabelece entre si e as demais espécies de animais. Ao final de sua narrativa, o macaco Pedro Rubro, já perfeitamente humanizado e educado, reflete sobre a sua transformação e sobre o que ganhou com ela. Sua constatação é pouco alentadora para a espécie &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;homo sapiens&lt;/i&gt;. Ao conquistar tudo que julgamos relevante (conforto, reconhecimento, vida social agitada, um relacionamento conjugal), Pedro parece encarar tudo com um grande vazio – a vida humana em nada é mais valiosa do que a sua prévia vida simiesca:&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri; mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family: Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Se com uma vista de olhos examino toda minha evolução e o que foi seu objetivo até agora, nem me lamento dela, nem me dou por satisfeito. Com as mãos nos bolsos da calça, com a garrafa de vinho sobre a mesa, recostado ou sentado a meias na cadeira de balanço, olho pela janela. Se chegam visitas, recebo-as como se deve. Meu empresário está sentado na antecâmara: se toco a campainha, acode e escuta o que tenho a dizer-lhe. De noite quase sempre há função e obtenho êxitos já mal superáveis. E se ao sair dos banquetes, das sociedades científicas ou das gratas reuniões entre amigos, chego à casa a horas avançadas da noite, ali me espera uma pequena e semiamestrada chimpanzé, com quem, à maneira simiesca, passo muito bem. De dia não quero vê-la, pois tem no olhar essa loucura do animal perturbado pelo amestramento; isso unicamente eu o percebo, e não posso suportá-lo. &lt;/span&gt;. &lt;/i&gt;(KAFKA: s/d, p. 105/106)&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family:Calibri;mso-fareast-font-family: Calibri;mso-hansi-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;font-family:&amp;quot;;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Ulysse, em seu discurso, percorre caminho inverso ao de Pedro Rubro, narrando as circunstâncias que o levaram da condição de criatura racional e civilizada a uma bestialidade imposta e da qual, através de seu depoimento, buscava escapar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Após esse evento, tendo sua racionalidade reconhecida, Ulysse recebe roupas para vestir, é retirado de sua jaula, passando a viver em um quarto no centro de pesquisas e começa a auxiliar os chimpanzés em suas experiências com humanos. É então que Ulysse descobre que os experimentos que os macacos realizam vão muito além dos testes psicológicos de capacidade cognitiva e condicionamento: em Soror, os homens são utilizados em cruéis práticas de vivissecção. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Aquele humano tivera toda uma zona da área occipital removida. Não podia mais distinguir a distância ou a forma dos objetos, uma inabilidade que manifestava através de uma série de gestos desordenados cada vez que uma enfermeira se aproximava dele. Era incapaz de desviar de um sarrafo colocado no seu caminho. (...)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Com meu estômago pesando por essa sucessão de horrores acompanhados pelos comentários de um chimpanzé risonho, eu vi homens parcial ou totalmente paralisados, outros artificialmente privados da visão. (...)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;‘Aqui,’ ele disse com ar misterioso, ‘nós fazemos pesquisas mais delicadas. Não é mais o bisturi que entra em ação, é algo bem mais sutil – estimulação elétrica de certos pontos do cérebro. Desenvolvemos alguns experimentos notáveis. Vocês fazem esse tipo de coisa na Terra?’&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;'Sim, nos macacos!’ eu retruquei em fúria. &lt;/i&gt;(BOULLE: 1966, p. 153) &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;A fúria de Ulysse diante de tais práticas é imediata e pouco racionalizada; porém, o que há por trás desse sentimento nada mais é do que a percepção intuitiva de que aqueles humanos, mesmo privados de linguagem, de racionalidade, de plena cognição, possuem sensibilidade, capacidade de sofrer ou sentir prazer e de valorar tais experiências como boas ou más – elementos esses que condicionam direitos naturais tais como o direito à vida, à liberdade, à integridade física. A fúria de Ulysse é a manifestação primeira de uma aversão moral frente a uma prática antiética. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Pode-se dizer que, vivenciando o reverso da situação que ocorre no planeta Terra, onde macacos são vitimados em experimentos similares, Ulysse é forçado ao mais legítimo exercício ético, ou seja, colocar-se no lugar do outro, analisar a ação em questão e avaliá-la como boa ou má não do ponto de vista daquele que pratica a ação, mas sim da desprivilegiada posição daquele ser que sofre seus efeitos e consequências. Assim, Ulysse reaprende o que jamais poderia ter esquecido desde que encontrara os macacos racionais pela primeira vez, desde que os vira caçando impiedosamente os humanos: o planeta Soror não é um lugar amigável ou sequer seguro para seres humanos, assim como a Terra não é um lugar em que os animais não-humanos possam viver suas vidas com plenitude e liberdade. Seja em que lugar do cosmos for, o que restaria à racionalidade senão colocar a si mesma em um trono e, do alto dele, praticar dominação sobre todo o resto?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;A partir daí, a trama se encaminha para seu desfecho. A tranquilidade e a segurança conquistadas pelo protagonista depois de seu discurso na conferência ficam ameaçadas quando as autoridades símias descobrem que a humana primitiva Nova, ainda confinada no centro de pesquisas, está esperando um filho de Ulysse, o qual, cogitam, sendo o início de uma potencial linhagem de humanos racionais, pode vir a constituir um perigo ao futuro da sociedade símia e seu domínio sobre os homens. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;Sem revelar detalhes do epílogo, cabe ressaltar que, até o final, o romance de Boulle consegue surpreender e entreter ao mesmo tempo em que suscita questionamentos filosóficos: de onde vem &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-language:PT-BR;font-size:12.0pt;" &gt;a resistência que nós, indivíduos da espécie &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;homo sapiens&lt;/i&gt;, temos em aceitar que somos apenas animais e que tantos outros animais são tão moralmente relevantes quanto nós mesmos?&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Negar a existência dessa dimensão que se pode denominar “racionalidade”, “alma” ou “psiquismo” nos animais não seria uma forma de exercício de poder e mecanismo de dominação, assim como já foi perpetrado por nós, humanos, contra outros grupos humanos? Quão íntima é a relação entre “humanidade”, “racionalidade” e “opressão”?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:EN-US; mso-fareast-language:PT-BRfont-size:12.0pt;" lang="EN-US" &gt;Referências:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:EN-US;mso-fareast-language:PT-BRfont-size:12.0pt;" lang="EN-US" &gt;BOULLE, Pierre. &lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Monkey Planet&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Harmondsworth: Penguin Books, 1966. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" mso-fareast-language:PT-BR;font-size:12.0pt;" &gt;DAWKINS, Richard. &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Deus, um delírio&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. São Paulo: Cia. Das Letras, 2007. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;"&gt;KAFKA, Franz. &lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;A Colônia Penal&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. São Paulo: Livraria Exposição do Livro, s/d. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-7826328104908461019?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/7826328104908461019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=7826328104908461019&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7826328104908461019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7826328104908461019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2011/09/o-planeta-dos-macacos-confluencias.html' title='“O Planeta dos Macacos”: confluências entre humanidade, racionalidade e opressão'/><author><name>Rafael Bán Jacobsen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10584817415444028132</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-281160179407656684</id><published>2011-02-11T19:14:00.000-08:00</published><updated>2011-09-26T12:56:21.224-07:00</updated><title type='text'>Vozes Vegetarianas na Literatura: Coetzee</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2003, o sul-africano John Maxwell Coetzee faz eco à ideia defendida por &lt;a href="http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/01/vozes-vegetarianas-na-literatura.html"&gt;Bashevis Singer&lt;/a&gt;, outro laureado, de que os homens escravizam, torturam e exterminam em massa os animais, assim como os nazistas fizeram com os judeus. Tal concepção surge em diversos trabalhos seus. O exemplo mais óbvio é o livro “A Vida dos Animais”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;Convidado a proferir uma palestra na Universidade de Princeton, o escritor surpreendeu sua audiência. Em lugar de um ensaio teórico, ele leu esta inquietante narrativa sobre a relação entre os homens e os animais. O romance é protagonizado por uma escritora, Elizabeth Costello, que, assim como Coetzee, se prepara para um ciclo de conferências e discorre sobre as questões filosóficas e éticas que envolvem o nosso trato com os animais. Num bem articulado jogo entre ficção e realidade, teoria e prática cotidiana, Coetzee nos conduz por questionamentos sobre a vida e a razão. A prosa inflamada de Elizabeth Costello, vegetariana radical, faz uma polêmica analogia entre o abate do gado bovino e o holocausto nazista. As resistências às suas idéias começam em ambiente familiar. Hospedada na casa do filho, ela tem que contrapor suas convicções ao dia-a-dia da família.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;Talvez a porção final do texto, em que Elizabeth Costello faz um doloroso desabafo ao seu filho, seja a mais primorosa síntese que dele próprio se possa fazer:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Aparentemente, eu me movimento perfeitamente bem no meio das pessoas, tenho relações perfeitamente normais com elas. É possível, me pergunto, que todas estejam participando de um crime de proporções inimagináveis? Estou fantasiando isso tudo? Devo estar louca! No entanto, todo dia vejo provas disso. As próprias pessoas de quem desconfio produzem provas, exibem as provas para mim, me oferecem. Cadáveres. Fragmentos de corpos que compraram com dinheiro. É como se eu fosse visitar amigos, fizesse algum comentário gentil sobre um abajur da sala, e eles respondessem: 'Bonito, não é? Feito de pele judaico-polonesa, é o que há de melhor, pele de jovens virgens judaico-polonesas.' E aí eu vou ao banheiro, e a embalagem do sabonete diz assim: 'Treblinka – 100% estearato humano'. Será que estou sonhando, pergunto a mim mesma? Que casa é esta? E não estou sonhando, não. (...) Calma, digo para mim mesma, você está fazendo tempestade em um copo d´água. Assim é a vida. Todo mundo se acostuma com isso, por que você não? Por que você não?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;Vegetariano convicto, Coetzee já afirmou:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Sim, sou vegetariano. Acho bastante repulsiva a ideia de rechear minha garganta com fragmentos de cadáveres e me surpreende ver quanta gente o faz todos os dias. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-281160179407656684?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/281160179407656684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=281160179407656684&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/281160179407656684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/281160179407656684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2011/02/vozes-vegetarianas-na-literatura.html' title='Vozes Vegetarianas na Literatura: Coetzee'/><author><name>Rafael Bán Jacobsen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10584817415444028132</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-99286329762860859</id><published>2011-01-03T11:44:00.000-08:00</published><updated>2011-01-03T11:46:46.455-08:00</updated><title type='text'>Um Ano Bom</title><content type='html'>Pense no sujeito mais abjeto com que você já cruzou. Ele é egoísta,  maldoso, tenta passar a perna em todos, é invejoso, intriguento, mesquinho, sem escrúpulos, só visa se dar bem acima de qualquer coisa. Pensou? &lt;br /&gt;Agora pense no seu oposto. Alguém que contém em si toda a simplicidade, a despretensão, quer tão somente viver sua vida sem prejudicar ninguém, sem desejar o mal, sem o praticar. Alguém inteligente, mas que só utiliza sua inteligência para sobreviver em um mundo injusto. &lt;br /&gt;O primeiro, sem dúvida, pertence à espécie humana e, embora não simbolize a humanidade toda, assume predicados nada difíceis de se encontrar nela. O segundo é um porco e "encarna", nessa descrição, os principais predicados de sua espécie. &lt;br /&gt;Há mais diferenças entre eles. O primeiro, daqui a algumas horas, na festa em que comemora mais um ano de vitórias e em que deseja mais sucesso para si no ano que inicia, encomendará o cadáver do segundo e o comerá, crendo em superstições vãs que só a sua espécie é capaz de criar, apesar de se vangloriar do uso da razão. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É meio improvável, mas não custa desejar: &lt;br /&gt;que o ano novo seja bom apenas para os bons&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-99286329762860859?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/99286329762860859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=99286329762860859&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/99286329762860859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/99286329762860859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2011/01/um-ano-bom.html' title='Um Ano Bom'/><author><name>Maria de Nazareth Agra Hassen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02890550447337926166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='13' src='http://bp1.blogger.com/_2pzg6Aoeml4/R83pjFamFxI/AAAAAAAAADk/X5yKoL674Ds/S220/naza6_menor.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-5192737830441603133</id><published>2010-12-23T17:22:00.000-08:00</published><updated>2010-12-23T18:02:53.902-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='natal'/><title type='text'>Poema para a noite de natal</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Escrevi um poema para o natal, e pensei em compartilhar por aqui, como contribuição para esse espírito de congraçamento e respeito que emana dessa época, e também para as reflexões que sempre são feitas nos momentos de virada de ano, quando a Terra está no mesmo lugar em que esteve há pouco menos de um ano. Sem mais delongas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Poema para a noite de natal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;Olharei atentamente o céu da noite de natal&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;Buscarei no escuro vasto o rastro da estrela guia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;Ansiarei por percorrer seu percurso celestial&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;Se de fato ela brilhasse, por onde me levaria?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;Transitou&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt; oculta em nuvens no Setor Comercial&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;Entre errantes ao relento na noite erradia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;Ofuscou ante os letreiros do Conjunto Nacional&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;Que iluminam o coração contraditório de Brasília.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;Desviou do abatedouro da zona rural&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;Com rubor ao ver o sangue que jorra da estrebaria&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;Congelou presa ao pinheiro plástico artificial&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;Se apagou&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt; quando notou a manjedoura estar vazia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-size:100%;" &gt;Leonardo Ortegal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-5192737830441603133?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/5192737830441603133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=5192737830441603133&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/5192737830441603133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/5192737830441603133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/12/poema-para-noite-de-natal.html' title='Poema para a noite de natal'/><author><name>ortegal</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/_tJRIMxIcXac/S-dIDGYDoRI/AAAAAAAAAK4/tEKgU0-1KPE/S220/leo_pictures_08.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-9053410218997236971</id><published>2010-12-10T18:16:00.000-08:00</published><updated>2010-12-10T18:23:26.605-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brian Aldiss'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vegetarianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção científica'/><title type='text'>Vozes Vegetarianas na Literatura: Brian Aldiss</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-priority:99;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Calibri;  mso-hansi-theme-font:minor-latin; 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Um de seus livros de contos mais conhecidos é “Superbrinquedos duram o verão todo”. Neste volume, encontramos  os dois contos que serviram de base para "A.I. - Inteligência Artificial", o famoso filme de ficção científica de Steven Spielberg lançado em 2001, a partir de um projeto de Stanley Kubrick, sobre a possibilidade da criação de máquinas com sentimentos. Nesse mesmo volume de contos, podemos ler um interessante texto intitulado “Carne”. Nele, é apresentada a visão apocalíptica de uma realidade futura em que a exploração dos animais e a criação de rebanhos cada vez maiores acabaram por arruinar o equilíbrio ambiental do planeta, culminando com a proliferação de doenças entre os próprios animais, o que ocasionou a extinção de todo rebanho bovino e 99% do rebanho ovino.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;O impacto ambiental da criação industrial de animais para consumo humano é fato. E esse fato é literariamente descrito nas seguintes passagens do texto;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;               &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;(...) quarenta por cento da terra agriculturável do país estava sendo usada no plantio de forragem para os animais que eram abatidos e exportados. Uma outra porção das terras era empregada no plantio de soja – exportada para alimentar o gado do Primeiro Mundo. (...)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;A imagem anódina que os Carnívoros apresentavam ao mundo mostrava o gado pastando placidamente em verdes campinas. Isso já se tornara uma fantasia muito antes do fim. A verdade é que aquelas criaturas sensíveis – não apenas o gado bovino, como também o ovino, os porcos e os galináceos – já não eram mais animais e sim meras unidades de produção de carne, destinadas a percorrer o trajeto até os estômagos glutões do Ocidente da maneira mais rápida e barata possível.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Para manter essas unidades produtoras de carne saudáveis em sua curta existência, elas eram abarrotadas de penicilina. De tal forma que os antibióticos foram ficando cada vez mais ineficazes em sua tarefa de curar uma população cada vez mais doente. População cujo hábito de se empanturrar de carne acelerou o ritmo das doenças. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;A última linha do conto, diante de tal quadro, nem tão distante de nossa atual realidade, infelizmente não pode ser taxada de panfletária ou exagerada:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;Carne Faz Mal a Você. Ela Fez Mal ao Planeta Todo. &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-9053410218997236971?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/9053410218997236971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=9053410218997236971&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/9053410218997236971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/9053410218997236971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/12/vozes-vegetarianas-na-literatura-brian.html' title='Vozes Vegetarianas na Literatura: Brian Aldiss'/><author><name>Rafael Bán Jacobsen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10584817415444028132</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-4630374210930300520</id><published>2010-11-10T19:53:00.000-08:00</published><updated>2010-11-10T20:34:26.390-08:00</updated><title type='text'>Lenço Vermelho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olá leitores do Resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia de hoje farei um post diferente. Estive em Porto Alegre para o Congresso da SVB. Chegando lá, deparei-me com a semana farroupilha, um desfile público de homofibia e especismo que me colocou sensibilizado de tal forma que não conseguia tirar algumas imagens da cabeça. Por isso, compus uma música sobre esta experiência q hoje posto aqui no Blog. Perdoem a falta de qualidade do vídeo, pois esta experiência é totalmente caseira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que gostem.&lt;br /&gt;Forte Abraço!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Lenço Vermelho&lt;br /&gt;(Daniel Kirjner)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, esta herança farroupilha&lt;br /&gt;reza vísceras que escorrem pelas mãos.&lt;br /&gt;Há tempos esta guerra foi perdida&lt;br /&gt;mas os corpos ainda jazem pelo chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhos desfilam fantasiados&lt;br /&gt;celebrando uma nação que não nasceu.&lt;br /&gt;Na Pólis defensora do Estado,&lt;br /&gt;rapina de seus farrapos prometeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi um galo fantasiado,&lt;br /&gt;preso com arames pelo calcanhar.&lt;br /&gt;Rasgavam em tortura sua carne&lt;br /&gt;para ele ser modelo de fotagrafar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma ovelha estava tão machucada&lt;br /&gt;e sonhava qualquer água para beber.&lt;br /&gt;Buscando um resquício de bondade&lt;br /&gt;sobre pasto que teimava em não nascer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, triste senhor, fiel combatente farrapo.&lt;br /&gt;Não vês que o lenço é da cor do sangue de teus animais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-13d7e2b0b4d15063" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v4.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D13d7e2b0b4d15063%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331213783%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D49E826636070BED7B42B2753315DEAEC2A8C1F92.1EFC94D1ED5723FC47A9987B9126DD768FA92B68%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D13d7e2b0b4d15063%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DRh32SVewvfPqKp17zRQ0wPcJB6I&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v4.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D13d7e2b0b4d15063%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331213783%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D49E826636070BED7B42B2753315DEAEC2A8C1F92.1EFC94D1ED5723FC47A9987B9126DD768FA92B68%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D13d7e2b0b4d15063%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DRh32SVewvfPqKp17zRQ0wPcJB6I&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-4630374210930300520?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/4630374210930300520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=4630374210930300520&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/4630374210930300520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/4630374210930300520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/11/lenco-vermelho.html' title='Lenço Vermelho'/><author><name>Daniel Kirjner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17675316358027126927</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-1289053965979090587</id><published>2010-11-05T15:19:00.000-07:00</published><updated>2010-11-05T15:32:39.166-07:00</updated><title type='text'>O velho e um porco</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Table Normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-priority:99;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt;  mso-para-margin-top:0in;  mso-para-margin-right:0in;  mso-para-margin-bottom:10.0pt;  mso-para-margin-left:0in;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif"; 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Um cumprimento vegano a todos meus colegas de blog e a todos os abolicionistas ativistas pelo mundo afora. Força e coragem, companheiros de luta! Segue um pequeno conto nessa sexta-feira tão significativa. Espero que gostem. Beijos vegans ;*&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;         A cena se repetia todas as sextas. Era como se tivessem esquecido ligado o botão de repetir. Nada mudava, nada se acrescentava nem retirava. Eram sempre o velho e um porco qualquer; o primeiro vivo e o segundo morto, sempre. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O porco gratinado e com uma maçã vermelho-sangue na boca. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O velho... Bem, o velho, velho; a pela enrugada e frágil como a imitar papel de seda molhado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O velho era extremamente pálido e o porco extremamente mulato, alteravam a coloração cadáver / vivo, o leitor deve ter notado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A louça de porcelana fina e talheres de prata davam a impressão de que o velho esperava alguém. Mas era só isso mesmo, impressão. O único que lhe fazia companhia era o porco, era também o único com quem o velho conversava, embora nunca respondesse, é obvio. Não que o velho realmente se importasse...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Deverias orgulhar-se de estar à minha mesa! Que cara mais inexpressiva!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A rotina, que terminava com o velho e o porco à mesa, começava sexta de manhã, quando o velho saia de casa para ir ao açougue. Vestia terno e sapatos lustrados, ignorando a falta de classe de usá-los em uma estrada de terra como aquela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O açougueiro não perguntava, não cumprimentava. Conhecia o velho de longa data. Looooonga data, desde a época em que era menos velho. O valor era sempre o mesmo, a compra sempre muda e monótona. Dinheiro. Pacote com o porco. Troco. Nota fiscal. Sino da porta anunciando a saída do velho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Devo parar de narrar a irritante rotina das sextas feiras do velho, pois, se meus recursos literários não falham, esta é uma narrativa muito chata e o leitor já deve estar entediado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Dizem que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, eu digo que água mole -se for esperta- em pedra dura tanto bate até que muda o curso e dá a volta na pedra. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Esta história muda de curso numa sexta-feira, que não era 13 nem de lua cheia, acredito, pois foi um dia de bastante sorte para o velho e para um porco. Vamos aos fatos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Terno. Sapatos lustrados. Estrada de terra. Açougue. Tudo igual até aí.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- O homem não pôde vir. Está cumprindo pena de um dia na cadeia. Semana que vem está de volta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O velho, se não fosse pela artrite, teria pulado para trás com o susto de ouvir a voz do açougueiro. Não era mudo, afinal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Que homem? – perguntou depois de um tempo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- O algoz, carrasco, abatedor, encapuzado... Sei lá como o chamavam na sua época.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Parou para pensar, o velho. Julgava-se esperto mas não via motivo para aquela quebra de silêncio por parte do açougueiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- E então?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Então, o quê? O homem não veio, não tem porco!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Se fosse possível, o velho teria ficado mais pálido que já era:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- O curral é nos fundos que bem sei. Mate um bicho, pago o dobro se for preciso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Eu não! Não, senhor! Quem mata é o homem. Eu só fatio e vendo. Não me sujo de sangue nem pelo dobro nem pelo triplo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Cinco vezes mais, que seja.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O açougueiro considerou a proposta. O velho esperou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Por cinco vezes, leva o bicho vivo. Mas matar, eu que não mato.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Irritado, mas sem alternativas, o velho acabou concordando em pagar cinco&lt;span style="background: none repeat scroll 0% 0% yellow;"&gt;&lt;/span&gt; vezes o preço habitual por um porco vivo. Arrumaram um sisal tosco e improvisaram uma coleira. O açougueiro demorou um pouco para conseguir agarrar um dos rabinhos cor-de-rosa que corriam fazendo o maior estardalhaço. O velho, impaciente, pagou e saiu segurando o sisal com as duas mãos, o porco não passava dos 30 centímetros de altura, mas era um bicho forte e não se brinca com o jantar, muito menos quando ele pode derrubá-lo no chão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O porco virou as orelhas ao ouvir o sino da porta, e depois cheirou cada grão da estrada de terra. A curiosidade do bicho estava atrasando o velho e ele não gostava disso. Considerou matá-lo ali mesmo, assim não teria sangue para limpar e nem porco para aturar. Porém, tomada a decisão, notou que não tinha um facão e continuou andando e xingando, andando e xingando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A viagem pareceu durar mais, culpa do bicho, o velho sabia. Amarrou-o na varanda de frente e foi para a cozinha buscar um facão, o maior que encontrasse. Custou achar. Teve de afiá-lo para facilitar o trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O porco não estava lá, na varanda. O velho amaldiçoou-se por não ter feito mais forte o nó. O passado ao passado, decidiu, e foi procurar o porco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Voltou quase toda a estrada de terra. E depois foi na direção oposta. Por fim, sem sucesso, decidiu que um porco não valia tamanho esforço e a rotina que se quebrasse uma vez, oras, escolha é que não tinha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Em casa, decidiu descansar os pés para agüentar uma nova caminhada pela manhã. Queixar-se-ia na prefeitura a pouca eficiência do açougue. Ah... se ia!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Tirou o terno, os sapatos lustrados e foi até o quarto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Quase enfartou. Por um momento, imaginou que realmente tinha enfartado, estaria morto, e tudo faria, pois, sentido. Era o inferno, só podia ser. Bem ali, em cima de seu edredom de marca, de seu colchão de marca, estava o porco, e dormia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;- Bicho estúpido! – até cuspiu saliva de tão bravo, o velho&lt;span style="background: none repeat scroll 0% 0% yellow;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;O porco deu um salto que o fez fincar as unhas no edredom. O velho podia sentir seu fedor mesmo àquela distância. Imaginou se seria possível enforcá-lo, pois merecia morte mais lenta que um simples facão no pescoço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Porcaria de animal nojento! Deverias orgulhar-se de estar à minha mesa!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;E, como se fosse mágica, o “um porco qualquer” pela primeira vez respondeu:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Róin-róinc!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;É, o inferno... era mesmo o inferno. O velho desejou não ter comido tanta gordura em vida, assim não teria enfartado e não estaria ali, com um porco insolente respondendo-lhe os insultos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Ainda bem que ainda tens o sisal no pescoço! Será mais fácil pendurá-lo na...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Róin-róin! Roinc!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O velho respirou fundo e esticou o braço para alcançar o bicho, ignorando o fato de ter sido interrompido por um porco. O porco empurrou as mãos dele com o focinho gelado e sentou-se na cama, bufando irritado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ora, pois, quem haveria de acreditar? Estava sendo desafiado por um jantar! Um jantar e nada mais do que isso!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O velho já rangia os dentes preparando-se para uma nova investida quando o porco pulou da cama e saiu correndo. Correu até um canto do quarto e grunhiu virado para o velho perplexo. A cabeça mexendo de cima para baixo como se propusesse um duelo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Antes que o velho pudesse alcançá-lo, já disparava novamente. O porco correu entre as pernas dele, num oito bem feito e, num pulo, parou sentado na cama de novo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Então o velho compreendeu. Era uma brincadeira! O bicho estúpido não passava de um filhote tonto que queria brincar. Talvez não tivesse enfartado, no fim das contas, era apenas muito azarado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Enquanto pensava o que faria com “aquilo”, cometeu o erro mais grave possível, aquele que todo abatedor considera regra número um: nunca olhe nos olhos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O velho olhou. Olhou e viu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Lá estavam elas, duas azeitonas brilhantes que piscavam para ele. Eram tão expressivas... tão vivas... tão ingênuas... tão... tão inocentes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Droga, pensou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Aproximou-se mais devagar. O porco não se mexeu. Cada passo que dava o velho era uma nova conquista. Mas o porco não parecia mais querer brincar. O velho finalmente estava perto suficiente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Um estalo forte fez-se ouvir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Era o tapa que o velho dava naquela bunda rosa e suja de barro do próprio jantar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Ande, bicho estúpido! Já lhe tirei o sisal e abri-lhe a porta! Foge logo, que a sorte lhe sorriu! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Bateu mais uma vez, e o porco só se mexeu o suficiente para retomar o equilíbrio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Que mais espera que eu faça?! Comida não tenho que tu eras meu jantar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Róin-róinc!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O porco novamente empurrou a mão do velho, dessa vez foi como se implorasse para não apanhar mais. Droga de bicho estúpido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Bateu mais uma vez. A própria mão latejou de dor. O porco não se mexeu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Fique aí então. Azar o seu!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O velho deu de ombros e decidiu jantar a maçã vermelho sangue que teria usado para enfeitar o porco. Depois trataria de expulsar o bicho da casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Lavou a maçã, secou-a, preparou a louça e os talheres. Quando voltou à mesa derrubou a garrafa de vinho que levava. Sentiu o sangue subir-lhe à cabeça e o queixo cair. Sentado em &lt;i style=""&gt;sua&lt;/i&gt; cadeira, da &lt;i style=""&gt;sua&lt;/i&gt; sala-de-jantar, da &lt;i style=""&gt;sua&lt;/i&gt; casa, estava o porco estúpido!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Balançou a cabeça, fatiou a maçã em dois, sentou-se em outra cadeira e ceou na agradável companhia do porco... vivo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Descobriu mais tarde que tratava-se de uma porca, fêmea. Deu-lhe um nome. Banhou-a, enfeitou-a com um laço no pescoço, comprou um travesseiro cor-de-rosa sob medida. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;E as coisas continuaram a ser como sempre...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ou quase como sempre. Eram agora, todos os dias, o velho e um porco, o primeiro vivo e a segunda também. Aliás, o primeiro mais vivo do que nunca, pois, se prestar atenção, o leitor há de notar um leve e discreto sorriso em meio àquela face de papel de seda molhado. Quem dera aos porcos terem ao menos uma chance de responder os comentários numa mesa de jantar. Quem dera aos porcos terem a chance de fazer-se ver aquelas azeitonas brilhantes e inocentes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Quem dera também a todos os velhos do mundo ter a chance de cear em companhia do próprio jantar... dessa vez, vivo e agradecido... ou viv&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;a&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; e agradecid&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;a&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, para fazer jus também às fêmeas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;“Talvez realmente tenha enfartado...”, concluiu finalmente o velho, “...mas esqueceram de mostrar-me o caminho ao inferno. Esse é sem dúvida o paraíso."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Não concorda, minha cara?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify; text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Róinc-róinc! – e a porca abanou o rabicó rosado, contente e viva, como um filhote de porco deve ser&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-1289053965979090587?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/1289053965979090587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=1289053965979090587&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/1289053965979090587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/1289053965979090587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/11/o-velho-e-um-porco.html' title='O velho e um porco'/><author><name>Giovanna Chinellato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05042924654764518163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mOpcAuBqBEA/TONFhEn5iDI/AAAAAAAAAA0/A4yMiwOOlq4/S220/_DSC4376%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-5903481159394471157</id><published>2010-11-03T12:48:00.000-07:00</published><updated>2010-11-03T12:56:11.826-07:00</updated><title type='text'>AMIGOS</title><content type='html'>Não é que eu seja um apreciador de acampamentos masculinos, mas os caras me convidaram e eu não tinha mesmo aonde ir, há anos ando por aí sem ter o que fazer e então fui. Não fiz nada do que eles faziam: pescavam, falavam de mulheres, de proezas, e, pior, falavam de futebol, eu não entendo nada de futebol e assim, enquanto o assunto prosseguia cada vez mais edificante, e eles bebiam suas cervejas, tiravam peixes da água do riozinho, alguns dos quais devolviam à água depois, outros iam se debatendo para uns baldes,  xingavam-se quando alguém falava alto demais,  eu fui recolhendo umas folhas e fazendo diferentes chás, experimentando seus sabores, olhando para meus amigos e me sentindo... distante deles. Não fisicamente distante, porque nem gosto de andar muito no mato sem companhia, mas ocorre que a fala deles ia me dizendo cada vez menos respeito, até que me joguei ao chão, próximo à fogueirinha e tirei um cochilo, embalado por sussurros que mencionavam calcinhas, pênalties, juízes que roubam, técnicos bundões e mulheres que se fazem de difíceis. &lt;br /&gt;Acordei e eles ainda estavam por ali, nem tinham percebido um barulho que vinha do mato. Se fosse um acampamento na América do Norte, eu pensaria que um urso, atraído pelo fogo e pela possibilidade de um lanche fácil, vinha nos visitar. &lt;br /&gt;Mas era uma vaca. &lt;br /&gt;A vaca surgiu por entre as moitas, distinguiu-me dos demais, me olhou de um jeito profundo, eu gostei desse jeito dela, me levantei um pouco porque também quis ficar alerta, vá que fosse um touro e disparasse, pisasse em cima de mim, era bom estar esperto, foi quando ela me disse: &lt;em&gt;sou uma vaca, seu tolo&lt;/em&gt;. Não gostei de ela ter me chamado de tolo assim de cara, para em seguida me dar conta de que havia alguma coisa de muito errado em uma vaca falar comigo. Há que observar que ela tinha um jeito doce de me chamar de tolo, um tom de voz... herbívoro.  Olhei para os caras, e eles seguiam fazendo tudo igual, nem notaram a vaca, já estavam mesmo bem bêbados e eu tive que perguntar a ela como é que, sendo um animal, conseguia falar. Não pareceu achar relevância na minha questão, mas mudou o tom de sua fala e disse que precisava de ajuda. Eu não sou um cara mau, ajudo quem me pede um troco no sinal, crianças desamparadas, mendigos solitários, homens que foram chutados pelas mulheres, pelos patrões e até pelos filhos, mulheres abandonadas, velhos sem família. Nunca pensei em ajudar uma vaca, mas não é por isso que deixaria de me esforçar. Perguntei o óbvio, o que ela precisava e ela contou que estava para ter um filho. Dei um pulo, não gostei nada da ideia, detesto sangue, jamais seria bombeiro, policial ou taxista justamente para não ter que atender partos, foi a primeira coisa que me ocorreu de dizer, e ela respondeu: Não seja estúpido, faço meus partos sozinha. Já tive onze filhos, nunca ninguém os viu nascer. Não gostei de ser chamado de estúpido, mas gostei de ter sido tranqüilizado quanto ao resto: só de pensar na grossura do cordão umbilical a ser cortado, na quantidade de sangue e no tamanho da placenta que ela talvez pudesse me pedir para enterrar, já me embrulhava o estômago. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nada disso&lt;/em&gt;, ela continuou. &lt;em&gt;Meu filho vai nascer e eu preciso de ajuda é depois. Não quero que mais um filho meu vire vitela, quero ser livre e dar liberdade a ele, e por isso preciso de um homem, porque não tenho alicate para cortar cercas&lt;/em&gt;. Ah, era só isso, cortar cercas pode ser tão fácil, não sei mesmo como touros, cavalos e tantos bichos se mixam para uns fiozinhos de arame. Fui até a camionete, passei por cima de dois corpos roncantes ao lado de garrafas vazias, me certifiquei de que tinha as ferramentas e, ao voltar, a vaca tinha desaparecido. Cogitei de ter sonhado, pensei nos chás de folhas estranhas que havia ingerido e tratei de voltar a me deitar. Não sei quanto tempo passou, mas já havia cantos de pássaros e uma cor azulada na noite, quando tomei um chute na barriga. Levantei de um salto e ali estava a amiga e seu filhote. Então era tudo verdade, havia uma vaca, e a vaca cumpria tudo o que prometera, o bezerro ali, de pé, todo lambido, como guri do interior no primeiro dia de aula. Ele me achava tão esquisito quanto eu achava toda aquela história. A vaca falou sorrindo: &lt;em&gt;os meninos têm seus amigos imaginários, depois crescem e deus é o amigo imaginário dos homens grandes. Eles não suportam viver sozinhos a dura realidade que criam para si e para os outros, não aceitam a ideia de viver num pó do universo.&lt;/em&gt; Ok, ok, a vaca me considera um tolo estúpido idiota, mas não precisa me atacar com filosofias. &lt;br /&gt;Ninguém mais ouvia a vaca, percebi que a voz dela entrava direto no processador do meu córtex. Então, amiguinha, qual é nosso próximo passo? Qual é o teu grande problema de ficar na fazenda? É tudo tão bonito aqui, esse silêncio do campo...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ficar na fazenda? A minha vida na fazenda se resume ao seguinte: fico horas com as máquinas nas tetas me sugando até fazer feridas. Entopem-me de químicas cancerígenas para produzir mais, apesar de que o câncer vai para os homens que então apelam noite e dia para o amiguinho imaginário, que não os leve para junto dEle (são amigos de seus deuses, mas querem ficar aqui, longe deles). Para que eu sempre tenha leite, me inseminam artificialmente, sabe como é, né? Não tem nenhum touro por perto, que me escolha, que me namore, eu nem sei quem é o pai dos meus filhos. Mas eles nascem, e depois que eles nascem, mal bebem o colostro e são tirados de mim. Seus gritos de dor me perseguem noite e dia, eles me chamam e não podem me escutar. Eu também grito. Eles são levados para o mais estúpido dos confinamentos, preparam-se para ser vitelas&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ohh, carne de vitela, saborosíssima, tenríssima. Vejo a moça, tão chic, sentada com seu lindo vestido no restaurante igualmente chic, aonde só vão pessoas dignas, ricas, cheias de bons modos e de bom gosto: ela crava o garfo no pequeno pedaço de músculo do meu pequeno filho que não chegou a conhecer a luz do dia, que passou seis meses fechado num cubículo, impedido de se movimentar para não endurecer os músculos e para a moça dizer: que carne maciiiiiiia, derrete na boca! O rapaz a sua frente diz: eu gosto também, mas prefiro quando tem mais sangue no molho. Tem que cuidar o colesterol, ela diz preocupada com a saúde do namorado, a gente deveria comer mais peixe e carne branca, mas vitela, acho que vitela também é bom. &lt;br /&gt;Vi toda a cena, não só essa do casal sofisticadinho, mas pensei nos peixes que meus amigos deixaram afogar-se no ar, nos churrascos que fazemos todo mês, nos bifinhos e guisadinhos do dia a dia, foi duro então olhar para a vaca, saber que toda aquela ânsia por viver e salvar seu filho iria ter fim quando a enfiassem num brete, sua cabeça sobre a bunda das outras, tentando buscar um ar no alto, uma visão privilegiada do que haverá na frente, o olho arregalado, a certeza da dor e do fim.  Ela respondeu tentando me tranqüilizar: &lt;em&gt;nós vamos conseguir&lt;/em&gt;. Olha aqui, eu lhe disse, tudo bem que estamos falando assim de cabeça a cabeça, mas vamos combinar que as coisas que eu “falo”, você escuta, mas as que eu “penso” são só minhas, tá bom? &lt;br /&gt;Peguei o alicate, peguei um serrote e, por pura precaução, uma espingarda que eu não tinha a menor ideia como usar, mas que poderia impressionar a vaca e lhe dar confiança. Para onde vamos? &lt;em&gt;Atravessar o rio&lt;/em&gt;, ela disse. Olhei para o barquinho dos meus amigos e não concebi como vaca, bezerro e eu caberíamos ali. &lt;em&gt;Bobão, eu vou nadando&lt;/em&gt;. Sempre me ofendendo, sempre me ofendendo. Apesar de que bobão até que é meio carinhoso, não me importei tanto e era bom saber que as chances de morrer afogado diminuíam, eu não sei nadar. O bezerrinho foi atrás da mãe e eles chegaram antes de mim. Entramos na mata, andamos até o dia ficar bem claro. Cortei três cercas, subimos e descemos, nos embrenhamos em corredores, saímos em descampados, deitamos enquanto o danadinho tomava leite. Cheguei a pensar em pedir uns golinhos, mas ela já não ouvia os meus pensamentos conforme o combinado e então eu tomei água do rio. A indireta funcionou, e ela me disse: &lt;em&gt;adultos não precisam de leite, leite é alimento de bebês e para isso cada bebê tem a SUA mãe&lt;/em&gt;. Eu também entendi a indireta, os bebês não deveriam tomar o leite das OUTRAS mamães. É isso que fazemos com as vacas: tomamos-lhes o leite. Tomar é um verbo que tem dois sentidos e os dois sentidos fazem sentido no que se refere ao leite das vacas. &lt;br /&gt;Ia tudo muito bem, nós já tínhamos andado muito, atravessado muitas fazendas. Como uma tal história poderia ter um final feliz? Está claro que não poderia. Uma camionete se aproximou de nós em alta velocidade, mandou que parássemos, nós somos pacíficos, um homem tolo-estúpido-bobão, uma vaca gorda e dócil, um recém-nascido cansado. Os homens desceram do carro e nos examinaram. Interessaram-se mais pela minha amiga, reconheceram a marcação de suas ancas, reconheceram a cabanha, me ignoraram completamente e trataram de a atar à camionete. Pedi-lhes que, por favor, não fizessem isso, ela estava cansada, não conseguiria acompanhar um carro, que o bebê estava sem forças. Eles não me ouviam e seguiam a atando, falavam de outros assuntos, riam, fumavam. Arrancaram o carro e ela não conseguia andar, ia arrastada, o bezerro correndo atrás da mãe, em desespero. Tomei-me de fúria, decidi ser forte nem que fosse nos meus momentos finais. Arremeti-me contra um deles que ficara a pé, engatilhei a espingarda e me pus a disparar. Alguns deles correram, e em minutos, não eram mais três, mas passavam de vinte e vinham contra mim. Sem saber manusear a arma, errei muitos tiros, mas matei uns três ou quatro. Depois lutei corporalmente e acreditei ter quebrado um ou dois pescoços.  Fui ficando cada vez mais forte, batia em um, em outro. Os da camionete voltaram para acudir os companheiros e a essa altura eu também já não tinha forças. Deixei-me cair e olhei pela última vez para a vaca, e ela então se pôs a me agradecer: &lt;em&gt;não lute mais por mim, já foi tão bom assim, isso que eu aprendi com os homens de ter amigo imaginário me deu forças para chegar até aqui, morrerei lutando para ser livre, tenho um filho que sabe que não sou eu a abandoná-lo. Obrigada, muito obrigada... por nesta noite ter sido meu amigo imaginário. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-5903481159394471157?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/5903481159394471157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=5903481159394471157&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/5903481159394471157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/5903481159394471157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/11/amigos.html' title='AMIGOS'/><author><name>Maria de Nazareth Agra Hassen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02890550447337926166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='13' src='http://bp1.blogger.com/_2pzg6Aoeml4/R83pjFamFxI/AAAAAAAAADk/X5yKoL674Ds/S220/naza6_menor.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-7245654905642568657</id><published>2010-11-03T12:33:00.000-07:00</published><updated>2010-11-03T12:34:25.729-07:00</updated><title type='text'>Diferentes</title><content type='html'>Uma porca asseada&lt;br /&gt;Um papagaio discreto&lt;br /&gt;Uma lesma eficiente&lt;br /&gt;Uma galinha fiel&lt;br /&gt;Um cavalo gentil&lt;br /&gt;Uma anta inteligente&lt;br /&gt;Uma serpente bondosa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animais&lt;br /&gt;decididamente&lt;br /&gt;não são como gente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-7245654905642568657?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/7245654905642568657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=7245654905642568657&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7245654905642568657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7245654905642568657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/11/diferentes.html' title='Diferentes'/><author><name>Maria de Nazareth Agra Hassen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02890550447337926166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='13' src='http://bp1.blogger.com/_2pzg6Aoeml4/R83pjFamFxI/AAAAAAAAADk/X5yKoL674Ds/S220/naza6_menor.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-5075097059231804666</id><published>2010-10-24T14:40:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T14:45:31.624-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rafael Jacobsen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sacrifício animal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rafael Bán Jacobsen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sacrifícios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='holocausto animal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religiões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='judaísmo'/><title type='text'>Korban</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Korban é a palavra hebraica para "holocausto" ou "sacrifício". Os sacerdotes da religião judaica, até o ano 70 d.C., realizavam sacrifícios de animais no Templo de Jerusalém. Ainda hoje, outras tantas religiões seguem realizando matanças de animais. Até quando?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Korban&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt; 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Seu caminhar tem o ritmo imposto pelo puxar da corda que traz amarrada ao pescoço, e quem assim o guia é Iochanan, o mesmo Iochanan que, certo dia, muito cedo, indo ao pátio buscar lenha para o fogo, encontrara a ovelha a lamber a única cria daquela sua primeira parição, o Iochanan que, então, muito afoito, voltara aos pulos para o interior da casa, anunciando ao pai e à mãe o que, para ele, era um acontecimento dos mais extraordinários, desses capazes de roubar o sono e povoar a mente de indagações por vários dias: de onde viera a substância necessária para que se fizesse a partir do nada? Se tinha um balido tão estridente, por que não se ouvia na época em que ainda estava dentro da barriga? E era, de fato, um balido dos mais agudos o que se escutava quando Iochanan, dando voltas no poço, punha-se a correr atrás do recém-nascido ou quando, ao contrário, era ele que saltitava atrás do menino, desajeitado e aprendiz. A mãe o repreendia, que deixasse o filhote quieto, mas Iochanan tinha certeza: eram exclamações de contentamento. Quando, enfim, se cansavam, gostava de pegá-lo no colo e sentir a lanagem amena e clara, como só podem ser as coisas que ainda não se contaminaram com o mundo. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Apesar de sonolentos, os dois andam rápido, seguindo os peregrinos mais à frente, pois assim exige a expectativa de Iochanan: quer logo contemplar a cidade, conhecer o templo, entender o que lá acontece. Conforme dissera o pai às vésperas da partida, havia completado treze anos e, por isso, já podia realizar serviços religiosos junto com os homens da casa. Vais conhecer o sagrado, assim lhe falara. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Súbito, os olhos de Iochanan descobrem que ver Jerusalém significa ver o templo, e ver o templo é o mesmo que ver Jerusalém, pois a enorme edificação, ocupando um ponto elevado da paisagem, reflete, em seu mármore branco, a luz rascante da aurora e, com isso, espalhando inescapáveis cintilâncias rubras, ofusca todas outras construções dentro dos muros da cidade, fazendo com que pareçam nada mais do que pedras soltas e sem forma. O pai de Iochanan ergue o braço, indicando o destino; a caravana, fôlego renovado, avança.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;A manhã é pouco mais que uma promessa; mesmo assim, pessoas ganham as ruas, e muitas se deslocam em direção ao templo, como se dele proviesse um mistério imantador. Enquanto, mesmerizado, atravessa as estreitas vias, sobre as quais se debruça o velho casario ocre, Iochanan quase deixa escapar o cordeiro, que, de repente, como se algo o espantasse, traciona a corda e projeta-se para o lado. O menino o detém a tempo, abaixa-se e, afagando-lhe a cabeça, tenta tranquilizá-lo. Em meio ao burburinho crescente, escuta, então, a voz do pai, o qual, dezenas de passos adiante, percebendo o atraso do filho, o chama com insistência.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;O grupo, que congrega membros da família de Iochanan e outros homens da aldeia onde moram, perto de Cafarnaum, alcança a muralha sul do templo, onde está o portão principal. Assim, de perto, tudo é ainda mais esplendoroso, mal cabe no olhar, e o garoto surpreende-se ao perceber que não mentiam ou sequer exageravam os mais velhos quando contavam que a construção era ornada com ouro e prata e tampouco quando afirmavam que as duplas colunatas pareciam não ter fim. Logo na entrada, um homem alto, vestido de branco, com um uma mitra de mesma cor e uma faixa escarlate amarrada à cintura, achega-se ao pai de Iochanan. Durante a conversa, mais de uma vez, Iochanan nota que o pai olha para trás, em sua direção, e, em certo momento, talvez julgando que a discrição já não fazia mais sentido, aponta para o filho ou – assim pensa o menino – para o pequeno cordeiro que se roça em suas pernas, balançando o rabo. Iochanan aproxima-se um pouco, aguça os ouvidos e escuta algumas palavras esparsas ditas pelo pai e seu interlocutor: oferenda pacífica, é preciso verificar se não há defeito algum, o banho ritual. O pai vira-se de novo para trás e gesticula a Iochanan para que se aproxime. O menino faz menção de amarrar o cordeiro a um pilar, mas o pai, de imediato, com novo sinal, indica que o traga junto. Mais uma vez o filhote parece relutar; entretanto, cede à força daquele que o vem conduzindo a dias, assim como Iochanan obedece às instruções paternas. O homem de branco fixa o olhar no cordeiro, coça a longa barba, e assim permanece por vários segundos; abaixa-se, então, para ver de perto o focinho, as ventas e as orelhas. Eu o entrego de volta nas escadarias, na subida para o pátio, diz ele, enfim, enquanto se afasta, levando consigo o animal, que, agora, traz as patas rijas, negando movimento. Iochanan chega a dar alguns passos acompanhando-os; porém, logo sente a mão do pai cair sobre o ombro: vem, meu filho, precisamos nos purificar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Encontram, mais adiante, naquele pavimento, grandes tanques de água límpida onde, separadamente, homens e mulheres imergem, proferem bênçãos ancestrais e põem-se a esfregar, com as mãos atormentadas, cada palmo da pele, como se dela quisessem expurgar não apenas o suor abundante e a poeira do deserto, mas também a memória de todas as imundícies que, desde os humores uterinos, a haviam conspurcado. Iochanan já não enxerga o cordeiro, tampouco o homem de branco. Enquanto, imitando o que fazem os demais, despe as principais peças da vestimenta, ficando somente com a fina túnica de linho, e desce os degraus que levam à água, o menino olha mais uma vez ao redor, procurando o filhote. Nada, apenas uma confusão de pernas a preencher o interminável corredor. Nesse instante, Iochanan se desconcerta ao aperceber-se de que seria incapaz de reconhecer as feições do homem de branco, pois não havia olhado o seu rosto, algo o impedira, e, agora, só agora, ele descobre: esse algo era medo. &lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Saem do banho. Os homens da caravana estão agora mais circunspectos, trocam poucas palavras, devem estar preparando o espírito para a adoração, adivinha Iochanan, enquanto sente a água já a evaporar, aniquilada pelo ar quente e seco. Tudo está bem, e o pensamento lhe escapa em um murmúrio. Gosta de ouvir isso e repete várias vezes, à guisa de prece. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Sente alívio quando, de fato, junto a uma ampla escada, reencontra o cordeiro. O homem de branco está com ele; Iochanan, todavia, mais uma vez, não tenta lhe mirar as faces. Ao devolver o animal ao pai de Iochanan, passa-lhe algumas instruções que o menino não compreende, mas tudo parece corriqueiro para o pai, que assente a cada observação do estranho. Quando o homem se afasta, o garoto pede ao pai que o deixe conduzir o cordeiro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;No alto da escadaria, chegam a um pátio. O sol tomou conta do firmamento com inesperada presteza, e, no amplo terreno aberto, já estão numerosos vendedores com suas mesas. Em meio à algazarra e sob o olhar dos soldados do Império, eles trocam as várias moedas que os fieis, vindos de todas as partes, trazem e apregoam cordeiros, cabras, pombos. Para que servem todos aqueles animais?, pergunta-se Iochanan. Não tem tempo para elaborar uma resposta, pois uma sensação de frio nubla-lhe a mente quando vê um vendilhão de dedos rudes e nodosos agarrar, dentro de uma gaiola lotada, duas pombas miúdas, que tentam em vão abrir as asas, e passá-las a uma velha ansiosa que, sem cuidado algum, as joga em um saco de estopa e, então, expõe os cacos amarelados dos dentes, sorrindo em agradecimento.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Neste pátio, Iochanan depara com vários homens trajados da mesma forma que o homem de branco. Andam de lá para cá, passam orientações aos peregrinos. São os sacerdotes, compreende. Não tinha enxergado o rosto do primeiro, mas, agora, vendo um exército deles, percebe que são todos o mesmo: idênticas barbas agrisalhadas, idêntica altivez, idêntica urgência de movimentos e – assustador – idêntico semblante. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;O pai está de novo ao seu lado e começa a explicar, apontando um prédio austero, retangular, cujo topo aparece mais adiante, por detrás de muros: a casa de Deus, o coração do templo, fica ali, mas, para chegar até lá, temos de atravessar mais muros, cruzar outros pátios – o recinto sagrado, onde arde eternamente o candelabro de sete braços, precisa ser protegido. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Transpondo mais um portão, sobre o qual avisos entalhados nas pedras alertam aos gentios que permaneçam afastados, sob pena de morte, chegam ao pátio reservado aos hebreus, onde ainda se permite a circulação das mulheres. Contudo, ali não permanecem, pois o destino é o mais interno dos pátios públicos, o pátio dos homens. Nele, a quantidade de pessoas é bem menor; porém, mesmo assim, o caos reina. Dirigem-se ao fundo, onde há um enorme portão de bronze entalhado, cujas folhas semiabertas permitem entrever, finalmente, a morada de Deus. Mais longe, no entanto, não podem ir; dali em diante, apenas os sacerdotes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Salta à vista de Iochanan o grande altar quadrado que ocupa quase todo o espaço além do portão de bronze, bem em frente à entrada do coração do templo; estranha os moirões de pedra e as argolas de ferro que jazem ao pé da estrutura e as fogueiras que crepitam sobre ela. O menino escuta alguém comentar: sempre me contaram que, por graça do Criador, este espaço das oblações não tem mau cheiro e tampouco atrai as moscas. Então, Iochanan compreende, e a revelação ganha força com uma lufada mais intensa de ar que lhe atira um odor nauseabundo nas narinas. Será possível que não sintam? Será possível que tenham viajado todos esses dias para algo assim? Por impulso, espia o cordeiro ao seu lado, e este lhe responde fitando-o com olhos líquidos. A mão do menino fraqueja ao segurar a corda. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Um sacerdote se aproxima com a mão esticada, solicitando que lhe passe a corda. Iochanan não se move; mal consegue respirar ao ver aquele fantasma diante de si, o presságio funesto que encarna. Impaciente, o pai toma o cabresto e o entrega ao novo homem de branco, o qual, de imediato, conduz para dentro o cordeiro e o amarra em uma argola entre dois daqueles moirões, que mais parecem lápides. Iochanan cerra as pálpebras, não quer testemunhar a barbárie que se anuncia, mas fica repetindo-se, na obscuridade, a última cena capturada pelas pupilas: o cordeiro tentando manter a cabeça erguida, gemendo feito uma criança, balindo e esticando a língua cinzenta. Iochanan fica assim por um instante que parece esgarçar-se indefinidamente, tentado fingir que não está ali, mas os sons não param, e, por isso, não há como cessar o pesadelo. Decide enfrentar, precisa fazê-lo, é tão culpado do que está prestes a acontecer quanto todos os outros que o cercam. Não pode fugir. Abre os olhos. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;O cordeiro ainda está ali deitado, agora mais silencioso, quase imóvel, a não ser por sacudir nervosamente o rabo curto e os lados se alçarem com mais rapidez que de costume. O sacerdote baixa gentilmente, sem esforço, a cabeça levantada, ergue, com a mão direita, uma faca de lâmina reluzente, grita uma bênção e, girando o braço em arco para fazê-la cair sobre a vítima, corta-lhe a garganta. O animal treme, o rabinho endurece e para de abanar. Escancara a boca, mas berro algum se ouve, pois irrompem as trombetas rituais, tocadas pelos sacerdotes perfilados junto à entrada do habitáculo de Deus. Cada estertor do cordeiro abatido provoca em Iochanan um igual tremor nas entranhas. Enquanto o sangue se derrama em profusão, o pequeno corpo se recusa a aceitar qualquer justificativa ou desculpa, resiste, e parece discutir com o Criador até o último alento. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Os olhos aquosos do cordeiro agora são vidro. Opaco. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Deseja contemplar o sagrado, sentir a paz e a misericórdia de que falam os hinos entoados; porém, ante o horror, Iochanan enxerga apenas o monocromatismo monstruoso de uma nuvem vermelha que lhe barra a visão, e invade-lhe a certeza lancinante de que são apenas palavras ocas, repetidas por automatismo, e que sobem aos céus junto com a fumaça negra das piras para encontrarem idêntico destino: perecer ao vento, na diluição irredimível do que é apenas humano, cruelmente humano.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Depois, o animal tem a pele arrancada, o tronco aberto e as entranhas retiradas. As vísceras escorrem, feito cobras arroxeadas se enredando cegamente pelo chão. Um sacerdote asperge o sangue recolhido em uma vasilha dourada pelos quatro cantos do altar, e outros seis pegam os despojos e, correndo, os carregam para cima, atirando-os à gula do fogo alto das piras. O cheiro de carne queimada engrossa o ar. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Se existe um Deus bom, então até a mais humilde das coisas vivas deveria ser salva, reflete Iochanan enquanto se dirige à saída, junto com os demais; se Deus é bom somente com os fortes, se não há justiça para os mais frágeis, para aqueles que sequer têm voz, para as pobres criaturas que são oferecidas em sacrifício à humanidade, então não existe esta tal benevolência, esta tal justiça. O menino sente uma dor insuportável nas têmporas. Um suor gelado escorre pelas costas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Os homens da caravana agora conversam amenidades e riem. Como é possível?, brada o espírito de Iochanan. Será possível que nada sintam? Para seu desespero, então, o pai se aproxima, trazendo um sorriso e uma pergunta: como te sentiste, meu filho? Estás feliz por conhecer o sagrado? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;A voz do pai está distorcida, a frase termina em um zumbido. Iochanan tenta falar, mas a boca se resseca, e um engulho torce-lhe o estômago; sente que os joelhos estão ainda firmes por milagre, que seus músculos parecem, agora, tão moles quanto as vísceras do cordeiro morto. Na convulsão que, a muito custo, tenta conter, no paroxismo daquele asco, ouve repetida a indagação, agora mais áspera: não me dizes nada, Iochanan? Não enxergaste a Deus no santo templo? &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;Abaixa os olhos, responde que sim e começa a vomitar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-5075097059231804666?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/5075097059231804666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=5075097059231804666&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/5075097059231804666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/5075097059231804666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/10/korban.html' title='Korban'/><author><name>Rafael Bán Jacobsen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10584817415444028132</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-2803152760818818241</id><published>2010-10-24T14:21:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T14:31:07.916-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rafael Jacobsen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='extraterrestres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rafael Bán Jacobsen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção científica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Quando eles chegaram</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O que aconteceria se alienígenas invadissem nosso planeta e resolvessem  fazer conosco tudo o que fazemos com os animais não-humanos? Como seria  estar do outro lado dessa história? &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Essa é a pergunta (tão velha quanto inquietante) que busquei responder neste conto. Boa leitura!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt; &lt;b&gt;Quando eles chegaram&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="right"&gt; &lt;i&gt;O sistema de baias isoladas é bastante eficiente para o confinamento  das unidades. Todavia, os seres dessa espécie – para utilizar uma  terminologia própria deles –, por terem desenvolvido rudimentares formas  de arte, comunicação e interação social, podem sofrer de grande apatia,  adoecer e definhar se completamente privados de tais elementos, o que,  sem dúvida, acarreta perdas na produção. Para contornar esse problema,  algumas soluções triviais: reprodução de sons variados no ambiente, uso  de celas com mecanismo de estimulação tátil e olfativa programada ou  mesmo o fornecimento de material simples para escrita. O bem-estar das  unidades produtivas deve ser sempre a preocupação maior. &lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="right"&gt; &lt;i&gt;Manual de Técnicas de Manejo e Abate&lt;br /&gt;Versão Beta&lt;br /&gt;Volume XIII – Humanos&lt;br /&gt;Ano 2167 (tempo terrestre)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;  Quando eles chegaram, estávamos juntos em nosso quarto, o dia querendo  tingir de laranja a transparência úmida das taças de champanhe, a  minha-pele-tua, o redemoinho branco dos lençóis. Estás ouvindo?,  perguntaste, erguendo a mim teus olhos enevoados de sono. Sim, eu disse,  tantos gritos aí fora, parecem todos loucos. A pressão de tuas unhas  nos meus ombros antecipou a pergunta: será que eles chegaram?&lt;br /&gt;Liguei o hológrafo, e a imagem que dominou o aposento, engolindo, com  suas cores, o relevo dos móveis, não deixava, tamanha a clareza, espaço  para qualquer esperança de equívoco ou dúvida confortável: era um imenso  geóide, pousado na esplanada em frente ao Palácio do Governo Central,  cercado por uma multidão de curiosos a se acotovelarem e por soldados  das tropas especiais, protegidos em suas armaduras de quartzo  polimerizado e carregando pesados rifles a laser. Sim, eles haviam  chegado.&lt;br /&gt;Não eram boatos, tampouco uma conspiração anti-governista, como  afirmavam as autoridades, as notícias espalhadas nos últimos dias, dizia  o repórter. O anúncio feito por observatórios astronômicos  independentes a respeito da aproximação do objeto não identificado  confirmava-se agora de modo irrefutável. Ali estava, tangível, o delírio  dos inimigos do sistema; ali estava, destruindo o gramado da maior  praça da capital do planeta Terra, a mentira dos acadêmicos  universitários que, atuando em áreas como exobiologia, buscavam  justificar captação de recursos para suas pesquisas; ali estava, em  intensas cintilações de âmbar, à primeira luz do dia, a inventividade  dos autores de ficção científica. &lt;br /&gt;Em pânico eu te senti; por isso te abracei.&lt;br /&gt;Não há exagero em dizer que o planeta parou quando eles chegaram.  Acompanhávamos as notícias segundo a segundo, enlaçados sobre o colchão,  querendo acreditar que era apenas mais um filme tolo ou, melhor, que os  excessos do amor na noite passada haviam induzido um sono abissal do  qual ainda não tínhamos despertado. Nunca antes eu havia me sentido  testemunha da história, nem mesmo quando instaurou-se o Governo Central  após a Terceira Guerra, nem mesmo quando, a seguir, nossa cidade foi  escolhida a capital. E não importa se vou viver mais dois dias ou cem  anos (cem anos, impossível, o destino não pode ser tão pérfido): jamais  esquecerei as palavras que, em nossa língua, ecoaram da nave por toda a  esplanada e, dali, foram transmitidas para todo o mundo.&lt;br /&gt;Não temam! Em paz e em segredo, os visitamos por muitos séculos e,  agora, também em paz, nos revelamos. No universo, somos vizinhos; na  caminhada evolutiva, somos irmãos. Trazemos nossos ensinamentos e  buscamos a acolhida neste planeta, pois muitos dos erros que hoje aqui  são cometidos nós também já cometemos. Não temam, pois ainda há  esperança. Trazemos a boa nova.&lt;br /&gt;Contrariando as expectativas, eram muito parecidos conosco, apenas mais  altos e sem pêlos. No encontro com o Grande Líder e os conselheiros da  Liga das Nações, mais detalhes: vinham de um planeta em galáxia não  catalogada ainda pelos terráqueos, um planeta dividido pelas guerras e  condenado à morte pela inépcia e arrogância de seus habitantes. Atingira  tal ponto a degradação daquele pequeno mundo – sete vezes menor do que a  Terra, declararam –, que os sobreviventes tiveram de colonizar outro  planeta e lá reiniciar sua civilização. A mesma tecnologia responsável  por tanta destruição havia lhes concedido uma segunda chance. E, nessa  nova etapa, foram lançados também novos alicerces, explicaram; não  queriam ver repetida, nem em seu novo planeta e nem em outro, a  catástrofe que, por um triz, não os havia dizimado.&lt;br /&gt;Quando eles chegaram, tu insistias em dizer que algo não ia bem. Não  importava que eles, em pouco tempo, tivessem conseguido debelar, com seu  alerta e sua diplomacia, os últimos focos de tensão armada no oriente,  que eles houvessem convencido as autoridades a destruírem as bombas de  pósitrons ainda guardadas em arsenal, que eles estivessem, gradualmente,  entrando em nossa sociedade, fundindo-se a ela, e conosco  compartilhando sua notável tecnologia, capaz de produzir e executar  muito mais com muito menos demanda energética, não, nada disso  importava; vinhas a mim, beijavas minha boca – um beijo trêmulo, um  quase-suspiro –, e falavas: isso não está bem.&lt;br /&gt;Quem poderia concordar com essa tua visão até aquela noite?&lt;br /&gt;De madrugada, fomos acordados pelo soar de alarmes em toda a cidade.  Pela janela do apartamento, vimos, pouco depois, o firmamento  incendiar-se com a luz dos inúmeros geóides que irrompiam aqui e ali,  dissolvendo a escuridão; as últimas nesgas de céu noturno eram pontas de  gelo negro agonizando em meio à fúria da lava escarrada por um súbito  vulcão. No hológrafo ligado às pressas, um repórter pálido, em cenário  de batalha, tentava dominar o pavor para informar que eles haviam  deflagrado um motim contra os humanos, os quais, por sua vez,  pacificados por conveniência, não tinham como se defender. Milhares de  naves se aproximavam da Terra naquele instante. Antes de a imagem  tridimensional desaparecer numa torrente de chiados e interferências, o  repórter conseguiu ainda dizer: eles estão aprisionando os humanos e se  utilizando do nosso próprio sistema de transporte para conduzir os  cativos até um lugar ignorado.&lt;br /&gt;Tu caíste de joelhos diante de mim, cingindo minhas pernas, e  sussurrando o que, mais do que um desejo, era uma súplica lançada ao  vazio: se é para morrer, quero morrer contigo. Os gritos já ecoavam mais  alto do que os alarmes, e cada vez mais próximos, subindo as escadas,  avançando pelo corredor. Deixei-me cair também. De repente, estrondos,  e, na porta do quarto, dois vultos gigantescos, um relâmpago e mais  nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesadelo superpovoado de vozes, uma nuvem de calor – sim, era o  inferno. Eu sei, chorava alguém, sei o que vão fazer: vão nos  transformar em comida, em cobaias. Por quê?, indagava uma pessoa mais  rouca. O que fizemos?&lt;br /&gt;Abri os olhos. Embora inconsciente até aquele momento, estava quase de  pé no vagão abarrotado, e tu, por milagre, bem ao meu lado, ainda de  pálpebras cerradas, o corpo mole oscilando com os movimentos caóticos  daquela cáfila humana uniformizada na desgraça. O veículo perdia  velocidade, parando. Passei meus braços ao redor do teu tronco e, mesmo  nunca tendo acreditado em Deus, rezei para que tu não despertasses.&lt;br /&gt;Porém, não foi assim. As portas da cabine se abriram, e tu retornaste exatamente quando eles chegaram.&lt;br /&gt;Eram centenas contra as poucas dezenas de nós que saíam de cada vagão.  Forçavam nossos passos adiante, por um estreito corredor, utilizando  hastes metálicas que, a longa distância, emitiam centelhas elétricas. No  tumulto, foi inevitável a separação: chamei teu nome, forcei os olhos  na penumbra e, tendo, enfim, de aceitar a derrota, ainda juntei o que  restava de mim e gritei uma jura de amor inútil, sufocada pela agonia de  tantos. Naquele instante, não só a jura era em vão, o próprio  sentimento tinha valor algum, impotente no confronto com a  tragédia.      &lt;br /&gt;Cada indivíduo foi trancado em uma cela solitária, tão minúscula que as  únicas opções são permanecer sentado ou deitar. Aqui neste galpão sem  abertura alguma ao exterior, são centenas, talvez milhares delas,  separadas em andares e baterias. A luz artificial, acesa o tempo todo,  apenas varia em intensidade; tantas vezes me peguei rangendo dentes,  sacudindo a cabeça e, quase em transe, implorando que ela se apagasse ao  menos por um minuto. A temperatura aqui varia bastante e sem  alternância lógica, como se as quatro estações disputassem perpétuo jogo  de forças. Tudo programado, tudo para nos manter estimulados. Têm a  mesma finalidade o papel e o lápis que me dão, e também esses sons que  asfixiam: pássaros de mentira, chuva eletrônica, trovões  computadorizados, ruídos diversos, fantasmas de uma realidade na música  intermitente. Nenhum barulho, todavia, consegue se sobrepor aos gemidos  dos prisioneiros e, menos ainda, ao trinado constante das correntes e  engrenagens da Máquina. É assim que eles a chamam: a Máquina.&lt;br /&gt;Sua estrutura de um anacronismo cruel ocupa toda a ampla área central do  galpão. Começa em um trilho, ao longo do qual correm os ganchos em que  as vítimas são presas pelos pés, de cabeça para baixo, uma procissão  macabra de improváveis morcegos. Dali, chega-se à serra rotatória, peça  responsável pela decapitação. As cabeças, não sei bem por quê, não são  aproveitadas e, por isso, caem direto em um incinerador de detritos  posicionado logo abaixo da lâmina. A próxima seção da Máquina é o tanque  de escalda, um tonel de líquido em ebulição, onde são mergulhados os  corpos para facilitar a posterior retirada da pele (infelizes aqueles  que, em seu instinto de sobreviver, tentam se balançar ou dobrar o  tronco para escapar da serra, pois acabam, muito feridos mas ainda  conscientes, encontrando seu fim nesse borbulhante Aqueronte). A seguir,  o tambor de escarificação, cilindro oco, posicionado na horizontal e  revestido de lancetas móveis, que, girando em torno de seu eixo, com o  agora indubitável cadáver em seu interior, remove-lhe a pele. Por fim, o  picador, uma espécie de tubo onde os corpos são moídos grosseiramente  ao mesmo tempo em que são centrifugados, a fim de separar o excesso de  sangue e outros líquidos, os quais escorrem por canaletas até um grande  ralo. O que resta, terminado o processo, são contêineres transbordantes  de uma pasta vermelha, matéria viscosa formada pela anulação de centenas  de seres que um dia existiram, experimentaram desejos e sensações,  pisaram na Terra e nela tiveram seu lugar – tudo transformado, quando  eles chegaram, em uma coisa única, sem forma, massa em que o próprio  sentido da vida foi diluído.&lt;br /&gt;Relendo o que escrevi acima, surpreendo-me comigo, com a quase-frieza do  parágrafo. Mas minha percepção nem sempre foi assim, o tempo se  encarregou de me fazer pedra (muitas semanas, sim; vários meses já? há  quanto tempo estou aqui?). Mesmo a tua presença em meu pensar foi  ralentando; uma heresia invocar a beleza da tua imagem e tuas mil  sutilezas em uma mente tão conspurcada de sangue, tão mutilada pela  violência. &lt;br /&gt;Nos primeiros dias, não olhava para fora da cela, não enfrentava, de  maneira alguma, a aterradora visão da Máquina, e a expressão, ou melhor,  a ausência de expressão dos magarefes fazia-me gelar. Ao contrário do  que se poderia supor, não tinham as faces contraídas de ódio ou qualquer  vestígio de sadismo estampado nos rostos. Estavam ali indiferentes,  envolvidos em um trabalho mecânico – transportar os humanos acorrentados  até a Máquina, prendê-los nos ganchos, cuidar para que nenhum escapasse  vivo –, apenas mais um trabalho como tantos outros. Essa apatia  constante e a semelhança deles com a nossa própria espécie eram, sem  dúvida, fonte maior de desconcerto e pânico.&lt;br /&gt;Pânico, aliás, foi o que me acometeu logo na primeira vez em que eles  trouxeram a ração. Reconheci, de pronto, naquela papa cheirando a azedo,  pedaços de carne quase crua, púrpura. Cogitei morrer de fome. Mas nem  para isso tive veias e paixão suficientes.&lt;br /&gt;A última visão que tive de ti foi, creio, o estertor da minha capacidade  de sentir. Quando passaste, esbatida entre tantas outras pessoas, sendo  conduzida à Máquina, alguma coisa se agitou dentro do meu peito. Tive  vontade de gritar teu nome, espremer meu corpo entre as grades, tudo  isso por um segundo. Engoli as palavras abortadas junto com a pouca  saliva de minha boca seca. A certeza da minha morte, pensei, era,  naquele momento, o consolo que tinhas para encarar a tua própria.&lt;br /&gt;Desde esse dia, estranhamente, tenho comido a ração com mais voracidade,  e a carne parece mais tenra e adocicada. Os vômitos são também mais  comuns; contudo, sinto que estou ganhando peso. Acho que eles vão  gostar.&lt;br /&gt;Quando eles chegaram, o abismo – holocausto. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Agradeço ao escritor Diego Lopes pela sugestão do argumento.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-2803152760818818241?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/2803152760818818241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=2803152760818818241&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/2803152760818818241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/2803152760818818241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/10/quando-eles-chegaram.html' title='Quando eles chegaram'/><author><name>Rafael Bán Jacobsen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10584817415444028132</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-2639742636171388949</id><published>2010-08-02T16:28:00.000-07:00</published><updated>2010-08-02T16:33:43.270-07:00</updated><title type='text'>Bioware</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;        Andando na rua de madrugada, vi algo que não parecia certo mas que ninguém aparentemente considerava errado. Tratava-se de um primata lobotomizado que trazia em sua barriga a cabeça de Kevin Stone: o Doutor Articulação. A cabeça do orangotango, por sua vez, pendia tão sem vida sobre o pescoço que se assemelhava a um saco de trapos amarrado a um pangaré de um viajante sazonal. A vida em si era projetada do abdome, como um parasita alienígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas tudo bem, afinal o pobre Kevin Stone merecia uma segunda chance. Após uma tarde de palestras na respeitosa universidade de Cambridge, como é tradição, o médico foi ter com uma respeitosa prostituta inglesa que, ao vê-lo sem dinheiro, ligou para Rashid, seu segurança árabe de dois metros e quinze, que, de imediato, quebrou seu pescoço. Como Kevin iria fazer hiking no Alasca com o pescoço quebrado? Imbuída desta preocupação, sua mulher Susan, mais conhecida como “a mulher coala com pênis de elefante”, resolveu intervir. Através da tecnologia de células tronco, “Coala com pênis de Elefante” fez brotar a cabeça do Doutor Articulação Kevin Stone de dentro ventre do Orangotango “Pete”, cujo o cérebro foi “cuidadosamente” retirado para não haver conflitos de opinião. Em uma cena semelhante a um parto Gremlin incompleto, Kevin Stone brotou das entranhas do animal e ganhou vida nova! Agora ele tinha um corpo jovem e tenro para jogar frisbee e peteca com  sua mulher  “Susan Coala com Pênis de Elefante” e seus filhos “Josh Pernas de Gazela” e “Wilbur Bico de Pelicano”, aos domingos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Enfim, estava andando eu na rua e dei de cara com Kevin Stone! Não. Eu não achei isso normal.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspiração?&lt;br /&gt;http://www.ted.com/talks/lang/por_br/kevin_stone_the_bio_future_of_joint_replacement.html&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-2639742636171388949?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/2639742636171388949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=2639742636171388949&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/2639742636171388949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/2639742636171388949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/08/bioware.html' title='Bioware'/><author><name>Daniel Kirjner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17675316358027126927</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-1099115728463168177</id><published>2010-02-26T20:01:00.000-08:00</published><updated>2010-02-26T20:44:15.624-08:00</updated><title type='text'>Free me</title><content type='html'>&lt;table id="tbl_traducoes" class="cor_2"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="col1 titulo"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saudações a todos os que visitam o blog,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago hoje aqui uma composição  simplesmente emocionante e profunda. Não é de minha autoria, mas eu não poderia deixar de divir com vocês. A canção é de uma banda vegana de hardcore chamada Goldfinger. Vai a letra e a tradução ao lado. Em baixo, vai a miniatura de um clipe que não é oficial, mas é bom, e dá pra ouvir a música, que é o mais importante. Espero que gostem. Se gostarem, divulgue para aqueles a quem também possa servir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometo que logo mais trago alguma coisa autoral para dividir com vocês.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Abraços!&lt;br /&gt;Ortegal&lt;br /&gt;(Ah.. eu escrevo sobre outros temas nesse blog, se alguém tiver interesse em visitar: &lt;a href="www.cartadesmarcada.blogspot.com"&gt;www.cartadesmarcada.blogspot.com&lt;/a&gt; )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;        &lt;td class="col2 titulo"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr class="spc"&gt;&lt;td class="col1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;      &lt;tr class=""&gt;&lt;td style="font-weight: bold;" class="col1"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Free me (Godfinger)&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="font-weight: bold;" class="col2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Me Libertem (Goldfinger)&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class="spc "&gt;&lt;td class="col1 vazio"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="font-weight: bold;" class="col2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;I didn’t ask you to take me from here.&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;Eu não te pedi para me tirar daqui&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  I didn’t ask to be broken.&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Eu não pedi para ser quebrado&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  I didn’t ask to stroke my hair.&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Não te pedi para acariciar o meu pêlo&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  You treat me like a worthless token.&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Ou me tratar como uma ficha sem valor&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class="spc "&gt;&lt;td class="col1 vazio"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;But my skin is thick&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;Mas a  minha pele é grossa&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  and my mind is strong&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  E a minha mente é forte&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  I am build like my father was&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Eu cresci como o meu pai&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  I done nothing wrong.&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Eu não fiz nada de errado&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class="spc "&gt;&lt;td class="col1  vazio"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;So free me&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;Então me libertem&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  I just wanna feel what life should be.&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Eu só quero sentir como a vida deveria ser&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  I just want enough space&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Eu só quero espaço o suficiente&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  to turn around&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  para me virar&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  and face the truth.&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  E encarar a verdade&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  So free me&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Então me libertem&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class="spc "&gt;&lt;td class="col1 vazio"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;When do  you gonna realize.&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;Quando vocês vão perceber&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  You’re just wrong&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Que estão simplesmente errrados?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;   You can’t even think for yourself&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Vocês não conseguem nem pensar por si próprios&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  You can’t even make up your mind&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Não conseguem nem pensar&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  So my mind’s a jail&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Então a minha mente é uma jaula&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  I hate the whole goddamn human race&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Eu odeio toda a raça humana&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  What the hell do you want from me&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  O que diabos vocês querem de mim?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;   Kill me if you just don’t know&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Me matem se vocês não sabem&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  or free me.&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Ou... Me libertem&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class="spc "&gt;&lt;td class="col1 vazio"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;I just  wanna feel what life should be&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;Eu só quero sentir  como a vida deveria ser&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  I just want enough space to turn around&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Eu só quero espaço o bastante para me virar&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  ‘cause you’re all fucked&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Vocês estão todos fodidos&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class=""&gt;&lt;td class="col1"&gt;  some day maybe you’ll treat me like you.&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;  Quem sabe um dia vocês me tratem como um de vocês&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr class="spc "&gt;&lt;td class="col1 vazio"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="col2"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7rRWLTGSNvg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0xe1600f&amp;amp;color2=0xfebd01"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7rRWLTGSNvg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0xe1600f&amp;amp;color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-1099115728463168177?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/1099115728463168177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=1099115728463168177&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/1099115728463168177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/1099115728463168177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/02/free-me.html' title='Free me'/><author><name>ortegal</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/_tJRIMxIcXac/S-dIDGYDoRI/AAAAAAAAAK4/tEKgU0-1KPE/S220/leo_pictures_08.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-6704019450272882156</id><published>2010-02-02T09:55:00.000-08:00</published><updated>2011-07-02T13:22:32.433-07:00</updated><title type='text'>Tipos que conheci por aí - Parte I</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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E mais peixe.&lt;br /&gt;Conheci Pedro em uma festa e esta foi a última frase que me dirigiu.&lt;br /&gt;Por que obtive esta resposta, eu não sei. Estava apenas respondendo sua pergunta sobre o porquê de não achar eticamente correto se alimentar de animais. Ou melhor, tratar os animais como propriedade, cercear suas liberdades, impor-lhes sofrimento.&lt;br /&gt;De qualquer forma, sei lá o porquê, esta foi a última frase que me dirigiu. Talvez tenha estranhado meu longo silêncio. Às vezes tenho a impressão que algumas pessoas se arrependem de tentar puxar uma conversa séria em uma festa. Quantos “nossa, calma, era só uma pergunta, não precisa filosofar” eu já escutei...&lt;br /&gt;Demorei pra responder ao Pedro pois tentei entender o que significa “não muita”. Dizem que em uma cadeia americana um colega de corredor de Charles Manson jurava ser mais nobre por ter matado três pessoas a menos. O carcereiro, ouvindo, os achava demoníacos. Quando queria alguém morto, pagava por serviços devidamente credenciados. Não seria certo matar com as próprias mãos. Às vezes, sim, precisava executar poucas pessoas, mas sempre por mandato das instâncias governamentais superiores. Legalmente correto, como previsto em lei, o que não caracteriza um crime, claro. Muito menos um pecado.&lt;br /&gt;Talvez, a confusão entre respeito e quantidade de sofrimento imposto seja uma questão importante para compreender nossa cultura.&lt;br /&gt;Enfim, voltando ao Pedro, senti que ele esperava um sorriso de aprovação. Talvez fosse um grande zoólogo, possuidor da descoberta de que peixe é realmente um fruto que nasce em grandes florestas submarinas. Preciso reler Julio Verne, ver se acho esta informação relegada por nossa ciência ocidental. Mesmo assim, parte importante de meu silêncio foi tentando sacar a diferença entre comer mais peixe ou mais boi. Talvez a carne branca invoque a paz, sei lá. Talvez tenha a ver com a Era de Peixes. Ou melhor, com a Era de Aquário, ao menos pelo nome mais adequada à atual condição de vida e liberdade dos animais da Terra. Talvez matar o que pareça ser menos prejudicial ao organismo humano seja mais aceitável eticamente. Vai entender a lógica de pensamento de cada um! Eu diria que não há lógica, apenas reprodução de hábitos e vícios de gerações anteriores, mas se dissesse isto ao meu novo conhecido, seria tido como arrogante.&lt;br /&gt;Respiro...&lt;br /&gt;E tento recomeçar com calma o diálogo sem chamar meu colega de ilógico. Vá que ele achasse que o estava chamando de irracional. Fiquei com medo da reação, haja visto que possuir outra racionalidade que não a humana, ou mesmo não operar com mecanismos racionais são erros graves, merecedores de condenação à prisão, tortura e morte. Assim está nas leis.&lt;br /&gt;Tentei dar alguma resposta, mas percebi que Pedro já estava longe, em direção ao bar. Fiquei aliviado, é verdade, embora angustiado, sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Anna e João&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Anna e João eram casados e honestos.&lt;br /&gt;Anna havia sobrevivido por vinte dias a uma queda de avião na cordilheira dos Andes graças aos membros de seus falecidos companheiros.&lt;br /&gt;João entrava na mata nu, pulava em cima de um búfalo, rasgava-o com suas próprias unhas, comia sua carne crua, chupava o sangue quente, sugava o interior de suas entranhas, assim como vermes e outros parasitas (separava os mais graúdos para comer com cerveja de noite), roía a cartilagem dos ossos e mascava os olhos como chiclete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Julia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Julia havia largado o ambiente violento da cidade. Mudou-se para o campo, onde, aos finais de semana, saia para pescar com os amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Martha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Martha amava os animais. Toda tarde dava um belo bife aos seus gatos.&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p style="text-align: left;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-6704019450272882156?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/6704019450272882156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=6704019450272882156&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/6704019450272882156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/6704019450272882156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/02/tipos-que-conheci-por-ai-parte-i.html' title='Tipos que conheci por aí - Parte I'/><author><name>Dennis Zagha Bluwol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00669403407942715619</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_Jm9DbdLcIZ0/S_FubwkLeyI/AAAAAAAAADg/el_Te0xrX_c/S220/bonobo3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-6348054925828528919</id><published>2010-01-03T15:02:00.000-08:00</published><updated>2010-01-03T20:00:20.115-08:00</updated><title type='text'>nova ética</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por Rafael Bessa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;adentro rubras paredes onde não há luz do dia&lt;br /&gt;percebo seres, de tristes olhos, tumores, agonia&lt;br /&gt;seus corpos dilacerados apesar da senciência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que crime cometeram estes seres tão chagados?&lt;br /&gt;para, como messias das línguas, serem sacrificados&lt;br /&gt;para serem torturados qual redentores da ciência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e pergunto se em mim existe raro defeito&lt;br /&gt;por ainda ter os olhos ligados ao peito&lt;br /&gt;por não saber ver razão na boca que devora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois ao visitar o não-humano sofrimento&lt;br /&gt;o rosto que vê é o mesmo em lamento&lt;br /&gt;e o olho que crê é o mesmo que chora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qual Francisco pregando à outras espécies&lt;br /&gt;para a glória celeste elevo minhas preces&lt;br /&gt;clamando compaixão por aqueles soturnos olhares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e sei que de extremismo ou loucura me acusarias&lt;br /&gt;por não querer jaulas maiores e sim jaulas vazias&lt;br /&gt;mas urge nova ética além de hábitos alimentares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;urge socorrer aqueles olhares&lt;br /&gt;urge nova ética&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a minha primeira postagem desde que o Daniel me convidou para o blog, a quem agradeço muito o convite e me desculpo pela demora em contribuir. Apesar de escrever poesia há anos, nunca havia escrito sobre especismo, libertação animal ou veganismo. Espero poder contribuir com frequencia daqui pra frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-6348054925828528919?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/6348054925828528919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=6348054925828528919&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/6348054925828528919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/6348054925828528919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/01/nova-etica.html' title='nova ética'/><author><name>Rafael Bessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07587427418026002898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/-N4vEMufri5Q/TtFZ9sKB_lI/AAAAAAAAAV4/qnwiBdfoYkg/s220/Imagem1.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-5080525914074853387</id><published>2010-01-01T14:44:00.000-08:00</published><updated>2010-10-24T14:26:32.110-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vegetarianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bashevis Singer'/><title type='text'>Vozes Vegetarianas na Literatura: Bashevis Singer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Isaac Bashevis Singer (1904-1991), judeu e Prêmio Nobel de Literatura, foi outro escritor que abordou brilhantemente a temática vegetariana, em várias de suas obras. A tese de Bashevis Singer é clara: todos nós, seres humanos, por conta de nossos hábitos de consumo e de nossa cultura antropocêntrica, somos responsáveis por um crime monstruoso, um verdadeiro holocausto animal. O vegetarianismo de Bashveis Singer é bastante antológico, sendo citado, por exemplo, pelo escritor Moacyr Scliar no seu prefácio à coletânea “47 Contos de Isaac Bashevis Singer”, publicada pela Companhia das Letras em 2004. A menção de Scliar ao vegetarianismo de Singer, porém, não é lá muito abonadora, expressando bem o senso comum acerca dos vegetarianos, a imagem distorcida que as pessoas em geral têm daqueles que decidem não compactuar com a violência contra os animais e, por isso, optam por uma alimentação sem carne: “Não era fácil conviver com Singer, um homem que tinha suas idiossincrasias; era inclusive vegetariano.” &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Singer, nascido na Polônia, filho e neto de rabinos hassídicos, emigrante para Nova York em 1935, construiu um universo ficcional que remete continuamente à infância e à adolescência vividas na Europa e à atmosfera de intensa religiosidade em que foi educado, de onde vêm os elementos predominantes de seu estilo e o estímulo da intenção de rever um “mundo morto”, o das pequenas comunidades judias nas aldeias polonesas (chamavam-se shtetl as povoações ou bairros de cidades com uma população predominantemente judaica). Seus contos, escritos de maneira simples, sem grandes sofisticações – revelando, no entanto, grande capacidade criativa e penetração crítica –, são comparáveis somente aos contos dos grandes nomes da literatura universal, como Guy de Maupassant, Edgar Allan Poe, Hoffman e Machado de Assis. Toda essa criatividade e essa crítica são, frequentemente, usadas a favor da causa vegetariana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Um exemplo que fala por si é o seguinte trecho da novela “O Penitente”, em que o narrador, um judeu relapso que decide se voltar à espiritualidade e abandonar as coisas mundanas, tornado-se justo e virtuoso, se questiona sobre a exploração dos animais: &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito eu chegara à conclusão que o tratamento do homem para as criaturas de Deus torna ridículos todos os seus ideais e todo o pretenso humanismo. Para que este estufado indivíduo degustasse seu presunto, uma criatura viva teve de ser criada, arrastada para sua morte, esfaqueada, torturada e escaldada em água quente. O homem não dava um segundo de pensamento ao fato de que o porco era feito do mesmo material e que este tinha de pagar com sofrimento e morte para que ele pudesse saborear sua carne. Pensei mais de uma vez que, quando se trata de animais, todo homem é um nazista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Entre os contos de Bashevis Singer, que se tornou vegetariano na metade da década de 1960, destaca-se a pequena obra-prima “O Abatedor”, que conta a história de um homem, Yoineh Meir, um homem que, pela sucessão natural, seria o próximo rabino de sua aldeia, Kolomir, mas que, por causa de picuinhas dentro da comunidade judaica, acaba sendo preterido por outro. Para que não ficasse sem fonte de renda, porém, “caridosamente” o nomeiam o novo abatedor ritual da cidade. E é aí que começa o pesadelo do pobre homem, sujeito de alma sensível e que não suporta a visão de sangue. Frente à sua relutância em assumir a nova ocupação, o próprio rabino lhe diz que o homem não pode ser mais compassivo que o Todo-Poderoso, fonte de toda compaixão (não é mera coincidência qualquer semelhança com o clássico e tolo comentário “mas Deus fez os bichinhos para serem Comidos” que vegetarianos ao redor do mundo, há séculos, são obrigados a escutar todos os dias). Yoineh cede, assume sua nova função, mas o dia-a-dia no ofício se torna uma tortura:&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes por dia, Yoineh Meir repetia para si mesmo as palavras do rabino: “Um homem não pode ser mais compassivo que a Fonte de toda a compaixão.” A Torá diz: “Deves matar teu rebanho e tua manada conforme te ordenei.” No monte Sinai, a Moisés foram ensinados os modos de matar e abrir o animal em busca de impurezas. É tudo um mistério de mistérios: vida, morte, homem, animal. (...) &lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;    E, no entanto, Yoineh Meir não encontrava consolação. Cada tremor da ave abatida provocava em Yoineh Meir um igual tremor nas entranhas. A morte de cada animal, grande ou pequeno, causava-lhe tanta dor quanto se estivesse cortando sua própria garganta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O pobre homem passa a ter dificuldade para dormir, para comer, passa a viver em eterno drama de consciência e, cada vez mais, passa a questionar os dogmas religiosos e sua visão antropocêntrica (muito ao contrário do que se poderia esperar em um texto de um autor que, como é o caso de Bashveis Singer, teve sólida formação e vivência religiosa):&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yoneh Meir estava achava que nem o próprio Messias podia redimir o mundo enquanto se praticasse injustiça contra os animais. O certo era que tudo pudesse renascer dos mortos: cada bezerro, peixe, mosquito, borboleta. Até no verme que rasteja na terra fulgura uma centelha divina. Quando se abate uma criatura, abate-se Deus... &lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;    “Ai de mim, estou perdendo a cabeça!”, murmurou Yoineh Meir.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;    Uma semana antes do Ano-Novo, houve um aumento nos abates. O dia inteiro Yoineh Meir passava ao lado de uma fossa abatendo galinhas, galos, gansos, patos. Mulheres empurravam, discutiam, tentavam chegar primeiro ao abatedor. Outras faziam piadas, riam, brincavam. Voavam penas, o pátio estava cheio de grasnidos, de tagarelice, do canto dos galos. De vez em quando, uma ave gritava como um ser humano. (...)&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;    Lá ficou até o pôr-do-sol, e o fosso se encheu de sangue.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após esse dia de intensa matança às vésperas do ano-novo, Yoineh Meir vai à loucura: na calada da noite, sem conseguir conciliar o sono, sai de casa, joga fora objetos sagrados e clama:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;“Não quero nenhum dos Seus favores, Deus! Não tenho mais medo do Seu Juízo! Sou um traidor de Israel, um transgressor por vontade própria”, Yoineh Meir gritou&gt; “Tenho mais compaixão que o deus Todo-Poderoso, mais, mais! Ele é um Deus cruel, um Homem de Guerra, um Deus de Vingança. A Ele não sirvo! O mundo está abandonado!”. Yoineh Meir riu, mas as lágrimas correram por suas faces como gotas ferventes.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tresloucado, fora de si (mas, paradoxalmente, experimentando uma lúcida visão do horror dos crimes perpetrados contra os animais com as bênçãos das religiões), ele se embrenha na floresta,em direção ao rio, aos gritos:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;“Pai do Céu, sois um matador!”, gritou uma voz dentro de Yoineh Meir. “Sois um matador e o Anjo da Morte! O mundo inteiro é um matadouro!”&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do conto, surge, em toda sua força, o protesto final de Yoineh Meir:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Yoineh Meir caiu num choro que ecoou pela floresta em muitas vozes. Levantou o punho ao céu: “Demônio! Assassino! Fera devoradora!”. &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois, seu corpo é encontrado boiando no rio. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro conto interessante, embora bem menos dramático, é “O Cabalista de East Broadway”. Nele, um escritor judeu que vive em Nova Iorque, claramente um alter ego do próprio Singer, narra-nos seus casuais encontros, ao longo de vários anos, com uma figura singular: Joel Yabloner, um velho autor iídiche especializado na Cabala e que, a despeito de ter muitos admiradores em Israel, preferia viver quase anonimamente e de maneira espartana nos Estados Unidos. Ao descrever o cabalista, o escritor-narrador, um ovolactovegetariano, não deixa de demonstrar sua admiração pelo fato de Yabloner ser um vegetariano estrito, embora a descrição de Yabloner, correlacionando seu estrito vegetarianismo com uma postura ascética, seja um tanto caricata:   &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joel Yabloner, alto, magro, o rosto amarelo e enrugado, tinha a cabeça brilhante sem um único fio de cabelo, o nariz seco, faces encovadas, um pomo-de-adão saliente no pescoço. (...) Vivia com os poucos dólares por semana que o Sindicato dos Escritores Iídiches podia gastar com ele. Seu apartamento na rua Broome não tinha banheiro, telefone, aquecimento central. Ele não comia nem peixe, nem carne, nem mesmo ovos ou leite: só pão, legumes e frutas. Na cafeteria, sempre pedia uma xícara de café preto e um prato de ameixas. &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, após assistir quase por acaso a uma palestra proferida por Yabloner, o escritor-narrador é convidado para participar de um banquete em homenagem a ele:&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que a palestra havia sido organizada por um comitê que se encarregara de publicar a obra de Yabloner. Um dos membros do comitê me conhecia e perguntou se eu gostaria de comparecer a um banquete em honra da Yabloner. “Como o senhor é vegetariano”, acrescentou, “é a sua chance. Vão servir apenas vegetais, frutas, nozes. Quando se tem a chance de um banquete vegetariano? Uma vez na vida.”  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer, então, que esse conto ilustra, com propriedade e leveza, certos aspectos mais corriqueiros da “vida vegetariana”, como, por exemplo, a dificuldade em encontrar alimentos em eventos sociais e uma certa “tensão” existente entre vegetarianos estritos (ou veganos) e ovolactovegetarianos. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;    Haveria muitos outros exemplos, mas vamos ficando por aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Vale a pena, contudo, relatar um emblemático episódio da vida do escritor. Quando Singer desembarcou em Estocolmo, no dia 6 de dezembro de 1978 para receber o Prêmio Nobel, foi cercado por dezenas de jornalistas que o bombardearam com dezenas de perguntas: “Por que o senhor escreve em iídiche?”; “Quais os escritores que mais o influenciaram?”; “O senhor está feliz pelo fato de o novo Papa ser polonês?”; “O senhor é vegetariano por motivo de religião ou por motivo de saúde?”. Singer só respondeu a esta última pergunta, legando-nos o que talvez seja a mais perfeita síntese da sua veg-visão de mundo: “Eu estou mais preocupado com a saúde dos animais do que com a minha própria.” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-5080525914074853387?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/5080525914074853387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=5080525914074853387&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/5080525914074853387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/5080525914074853387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2010/01/vozes-vegetarianas-na-literatura.html' title='Vozes Vegetarianas na Literatura: Bashevis Singer'/><author><name>Rafael Bán Jacobsen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10584817415444028132</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-6645067501632339654</id><published>2009-12-24T15:57:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T16:04:49.695-08:00</updated><title type='text'>O Último Natal</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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 &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:11;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ortegal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:11;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;O último natal&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Chegou o natal dia sem par&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E o peru do quintal onde foi parar?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;À noite somente uma certeza&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A morte aguarda-me à mesa&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não ouço mais seu grugulejo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Abro os olhos e o que vejo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;No prato&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Cercado de ornamentos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em pose indecorosa&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De fato &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Disfarça o tormento&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De uma morte dolorosa&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A este pedaço de carne&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dão cuidados e muito zelo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas agora é muito tarde&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já viveu todo um flagelo&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os comensais brindam,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sem remorsos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E para trás ficam&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Só os ossos&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensam que celebram o nascimento &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De alguém especial&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas se alegram com o sofrimento&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De um pobre animal&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pais, amigos, tias&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ignoram o horror&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Cortam-lhe em fatias&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E só sentem o sabor&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Troco presentes&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Finjo alegria&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não era bem esta&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A ceia que eu queria&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para alguns é festa&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para outros, agonia&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(suposta autora de Affonso Romano de Sant´Anna)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Versão com fundo musical e imagens no youtube:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=TH--KvwxYpE &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-6645067501632339654?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/6645067501632339654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=6645067501632339654&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/6645067501632339654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/6645067501632339654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/12/o-ultimo-natal.html' title='O Último Natal'/><author><name>ortegal</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/_tJRIMxIcXac/S-dIDGYDoRI/AAAAAAAAAK4/tEKgU0-1KPE/S220/leo_pictures_08.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-2086135423718870011</id><published>2009-12-07T11:32:00.000-08:00</published><updated>2009-12-07T14:23:38.010-08:00</updated><title type='text'>História de um Matadouro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;(Daniel Kirjner)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oito horas da noite, caminho pelas ruas desertas fazendo soar as pancadas de meu salto no chão por muitas léguas. Já não há mais ninguém, pelo menos que eu saiba da existência. Só vejo uma enorme solidão, à frente e atrás. Paro, tiro minha pena e começo a escrever. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vago meus últimos dias por sobre este planeta, poucas horas me restam de autocontrole.  Sinto fome, só isso, nada mais. O alimento cessou de existir a algumas semanas, e os poucos restos de sobrevida já arranquei deste mundo deserto. Só resta a espera, loucura, desespero e, por fim... bem, não sei o que vem depois, se  tudo em que acredito vivia neste local. O rebanho era enorme, farto, opulento. Alimentava-me como um rei, muitas e muitas vezes, sem jamais sentir qualquer indisposição. Era conhecido como matadouro, nome que muito me agradava e envaidecia. Grande bosta! Hoje sei que qualquer vaidade é transitória. Sempre me considerei um solitário, queria o mundo sem concorrência, exclusivo para o meu deleite, mas não existe prazer sem luta. O que esgotou o alimento não foi só a morte em massa de animais, mas também seu excesso. Por muito tempo, o banquete foi farto demais. A comida estragou e eu, confiante, voraz e exagerado, estraguei a mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo registrado o ocorrido nas linhas que seguem, para a posteridade, ou talvez para informar alguma forma de existência racional que consiga superar a rudeza deste planeta. A humanidade sempre sacrificou animais para comer. Desde suas formas mais primitivas, a caça sempre foi a principal fonte de energia para o corpo. Mesmo depois da descoberta e desenvolvimento da agricultura isso não mudou. Particularmente, tenho uma teoria sobre esse fato: Homo Sapiens Sapiens fica facilmente entediado e a crueldade – digo por experiência própria – é a forma mais divertida de passar o tempo. De volta ao acontecido, a humanidade evoluiu, criou o shopping center e, não mais que de repente, tinha tantas coisas para fazer que não podia mais caçar. Mas isso não os fez abandonar a carne, pelo contrário, começaram a pagar para que esta fosse produzida em grandes quantidades. Claro que os animais comidos tinham vidas e, consequentemente, doenças. Tecido doente não se come, nem cresce, muito menos vira lucro. Logo os seres humanos passaram a entupir seu rebanho de remédios e quem ficava forte era outra forma de vida desprezível. Primeiro veio a gripe de vaca, depois a do frango e a do porco, mas todas estas foram superadas com menos baixas. O que liquidou tudo não foi um vírus, mas um fungo que se espalhava pelo ar e tinha grande facilidade de se reproduzir em meio à gordura animal armazenada, consumindo-a primeiro e, na falta dela, atacando os órgãos internos de seu hospedeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O destino é mesmo um clichê de ficção científica. Fungos resistentes a antibióticos! Isso sim é muito engraçado. E o mais hilário é que não apareceu um Texano de espingarda para salvar ninguém e se tivesse vindo por aqui eu mesmo teria me banqueteado do sujeito. Mais engraçada ainda é a minha sina. Eu, que a mais de trezentos anos não ponho um pedaço de carne na boca, persisto como último ser da terra. Não posso me gabar de estar vivo, porque não estou, mas o fato de não respirar ou comer e estar podre e atrofiado por dentro me ajudou a continuar vagando por aí. Os fungos são meus companheiros a séculos e já cearam os órgãos que parei de usar. Você deve estar se perguntando que criatura bizarra fui, já que se esta carta esta sendo lida, há tempos devo ter virado pó. Sou um Vampiro. De certa forma, não sou muito diferente dos outros humanos que viveram na terra, aliás, já fui um deles. Ambos pertencemos a uma sociedade cruel, que se alimentou da morte de outras espécies inferiores ao nosso olhar. Caçamos, brigamos, cobiçamos, flertamos e bebemos. As diferenças são apenas duas: eles fodem para ter prazer, nós bebemos sangue; eles matam galinhas, vacas e sardinhas, nós os matamos. Não há muita diferença, afinal, entre matar uma galinha ou um ser humano. O sangue humano é mais gostoso, além do que eles sabem implorar pela vida, coisa sempre muito prazerosa e importante no ritual da caça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sinto o fim se aproximar. A Besta! Um instinto destrutivo incontrolável que existe em todos os seres que estão perecendo pela fome, ela é mais forte ainda nos vampiros, nossa maldição, ante-sala do fim.  Despeço-me enquanto ainda tenho o dom do raciocínio, pois para um filho de Malkav a loucura chega mais rápido. Adeus! Quem sabe te vejo no inferno.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-2086135423718870011?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/2086135423718870011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=2086135423718870011&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/2086135423718870011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/2086135423718870011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/12/historia-de-um-matadouro.html' title='História de um Matadouro'/><author><name>Daniel Kirjner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17675316358027126927</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-7794733633598995064</id><published>2009-11-18T10:56:00.000-08:00</published><updated>2010-03-30T07:33:46.277-07:00</updated><title type='text'>Uma Angustiante Hora do Almoço</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Autor: Dennis Zagha Bluwol&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: right"&gt;(Texto presente no Zine-Livro "Escritos Éticos &amp;amp; Picaréticos")&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: right"&gt;Versão alterada em 30/03/2010&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;A tempos venho namorando o crudivorismo[1] e feito algumas experiências de poucos dias ou, no máximo, poucas semanas. Agora estou aqui, olhando para a mesa.&lt;br /&gt;Hora de preparar o almoço. Serei eu crudívoro ou prepararei um arroz cozido? Dúvida angustiante. Parece-me óbvio comer as coisas como vêm, cruas, inteiras, íntegras, resultados de processos de bilhões de anos de adaptações em conformidade com as espécies que as comem. Mas meu arroz integral parece tão saudável e sempre me deixou tão bem… Será que desde o neolítico não nos adaptamos perfeitamente a nos alimentar de cereais cozidos? Mas os crudívoros não devem estar mentindo quando dizem que vivem muito melhor assim.&lt;br /&gt;Parcela dos crudívoros, especialmente os vinculados à chamada alimentação viva, continuam a alimentar-se de cereais e grãos, mas germinados, não cozidos. Outra parcela diz que nossa natureza é frugívora: frutas, folhas, sementes, castanhas. Essa me parece uma dieta (um modo de vida) interessante eticamente e ambientalmente.&lt;br /&gt;Eu me preocupo muito com nosso modelo de mundo, nosso modo de inserção na natureza, nos ecossistemas. Há apenas dez mil anos começamos a domesticar radicalmente a natureza e a plantar cereais e grãos em larga escala (alguns dizem que foi pra fazer cerveja. Será? Faz sentido o uso de álcool para aguentar viver a vida sem sentido que então se impôs e para causar passividade naqueles que não desejariam viver como trabalhadores rurais e não mais caçadores-coletores).&lt;br /&gt;Então, o que comíamos antes? Alguns dizem que éramos frugívoros. Mas, creio eu, certamente nossos parentes neolíticos também comiam carne. E isto eu descartei já como opção.&lt;br /&gt;Cereais e grãos… Alimentos da civilização? Frutos da arrogante e violenta domesticação da natureza? Será possível nos alimentar de cereais e grãos em uma relação harmoniosa com o resto da natureza? Como produzir tanto cereal e grão em uma organização que não dependa da brutal domesticação e eliminação de diversidade? Se não for possível, posso viver como frugívoro? Alguns vivem e dizem que vivem no auge de suas energias e felicidade. Será mesmo que nosso organismo ainda consegue viver assim por muito tempo? Angustiantes dúvidas. E a hora do almoço está passando… Cru ou cozido? Cereais e grãos ou frutas e folhas? Ou frutas, folhas, cereais e grãos, crus e cozidos? Dúvidas. Deveriam colocar nos livros de nutrição como fatores antinutricionais: angustiar-se com o alimento à mesa.&lt;br /&gt;Como pode uma espécie ser tão perdida que não sabe nem mesmo qual seu alimento ideal? Talvez nos caracterizemos por sermos uma espécie sem ideal. Algumas são carnívoras, outras herbívoras, ninguém fica se preocupando com o que seria mais saudável comer na próxima refeição. Mas nós somos perdidos. Talvez seja esta nossa natureza. Já estamos tão perdidos que não possuímos mais uma natureza de fato. Estamos sempre em busca. Todo este desenvolvimento do nosso pensamento abstrato e capacidade de reflexão nos tornou essas coisas, sempre criando, sempre criando, e sempre perdidos, sempre em dúvida. O resto da natureza é que sofre a cada nova genial criação humana. Mas não há como vivermos sem criarmos. Seremos obrigatoriamente contraditórios com nosso próprio ecossistema? E, pior, com todos os ecossistemas terrestres? Angústia...&lt;br /&gt;Como espécie, qual valor tem o fato de termos nos adaptado a comer quase tudo, cru ou cozido? É um ganho da espécie ou um ganho de obrigação de destruição e competição por alimentos que antes pertenciam apenas a outras espécies, quebrando o equilíbrio existente na diversidade? Somos algo como um vírus, nos apropriando de tudo e todos? Pior, vírus conscientes, autointitulados senhores do destino de todos os outros seres, de todos os ambientes terrestres. Ai meu estômago! Agora, além de fome, me ataca a gastrite.À minha volta há mamões e mangas (certo, com agrotóxicos e exploração dos trabalhadores rurais, transporte com combustíveis fósseis e tudo mais). Ao meu lado há também arroz e lentilha prontos para serem cozidos (com os mesmos poréns). Dentro de mim há dor.&lt;br /&gt;Alguns ficariam bêbados para esquecer a angústia. Eu já aprendi que isto só a aumenta. E traz passividade e doença. Fico então olhando para a manga como se fosse um alienígena. Analisando, analisando, pensando. Ai minha capacidade analítica, como dói!&lt;br /&gt;Minha existência tem fome…&lt;br /&gt;[1] Crudívoros são pessoas que se alimentam apenas de alimentos crus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-7794733633598995064?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/7794733633598995064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=7794733633598995064&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7794733633598995064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7794733633598995064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/11/uma-angustiante-hora-do-almoco.html' title='Uma Angustiante Hora do Almoço'/><author><name>Dennis Zagha Bluwol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00669403407942715619</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_Jm9DbdLcIZ0/S_FubwkLeyI/AAAAAAAAADg/el_Te0xrX_c/S220/bonobo3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-4443687125199477035</id><published>2009-10-25T16:21:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T14:27:34.630-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vegetarianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jonathan Swift'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='As Viagens de Gulliver'/><title type='text'>Vozes Vegetarianas na Literatura: Swift</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;No romance satírico “As Viagens de Gulliver”, do irlandês Jonathan Swift (1667-1745), encontramos a percepção de que o vegetarianismo é uma escolha racional e virtuosa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;A narrativa inicia-se com o naufrágio do navio onde Gulliver seguia. Após o naufrágio, ele acaba sendo levado pelas circunstâncias às mais pitorescas terras. O episódio mais conhecido é, certamente, aquele em que Gulliver é arrastado para uma ilha chamada Lilliput. Os habitantes dessa ilha, que eram extremamente pequenos, estavam constantemente em guerra por futilidades. Nosso interesse, porém, está na última das viagens de Gulliver.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;Em sua última viagem, Gulliver encontra os Houyhnhnms, uma raça de cavalos que possuía muita inteligência, e os Yahoos, uma raça humanóide imperfeita, de comportamento selvagem. Dentro da alegoria, os Yahoos representam o homem em sua natureza mais primitiva, e os Houyhnhnms personificam o homem em seu mais elevado potencial, atingido com o exercício pleno da razão. A diferença entre as duas raças é marcada de diversas formas, inclusive pela dieta que seguem. Os Houyhnhnms comem basicamente cereais, enquanto os Yahoos são contumazes comedores de carne. Associando-se o tipo de alimento consumido às demais características de cada uma dessas raças encontradas por Gulliver, fica clara a idéia subjacente de que uma dieta carnívora tende à selvageria enquanto um estilo de vida vegetariano se associa a maior discernimento e clareza mental.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;Nas palavras do romancista:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;(...) deparei com três das detestáveis criaturas que encontrara após minha chegada e que se alimentavam de raízes e da carne de alguns animais que ao depois verifiquei serem burros e cães e, de onde em onde, uma vaca, morta por acidente ou moléstia. (...) Possuíram-me um horror e um pasmo indescritíveis quando observei, nesse abominável animal, uma perfeita figura humana: tinha o rosto, efetivamente, achatado e largo, o nariz deprimido, os lábios grossos e a boca enorme; mas as diferenças são comuns a todas as nações selvagens (...). O garrano alazão ofereceu-me uma raiz, que segurava entre o casco e a quartela; tomei-a nas mãos e, depois de havê-la cheirado, devolvi-lha com a maior civilidade possível. Foi então buscar ao covil dos Yahoos um pedaço de carne de burro, mas esta fedia tanto que me afastei, repugnado, atirando-a ele ao Yahoo, que a devorou sofregamente. Mostrou-me, em seguida, uma paveia de feno e uma quartela de aveia; mas abanei a cabeça para significar que não eram alimento para mim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;A partir daí, convivendo com os virtuosos Houyhnhnms, Gulliver se acostuma com a sua dieta.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;Cabe ressaltar que o vegetarianismo de Swift não é obra do acaso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;Thomas Tryon (1634-1703), um filósofo autodidata e aluno do místico protestante Jakob Boehmen, publicou, em 1691, seu livro, “O Caminho da Saúde”, advogando uma dieta vegetariana. Essa obra era amplamente lido pelos pensadores da época. Ela até mesmo influenciou o jovem Benjamin Franklin (1706-1790) a se tornar um "Tryonista" por algum tempo. A mensagem de Tryon também influenciou o Dr. George Cheyne (1671- 1743), um famoso médico de Londres. Anos de indulgência o deixaram com aproximadamente 250 quilos; assim, ele decidiu seguir a dieta vegetariana descrita por Tryon. O sucesso de Cheyne levou-o a publicar, em 1724, o “Ensaio sobre Saúde e Vida Longeva”, recomendando uma dieta sem carne. O fundador da Igreja Metodista, John Wesley (1703-1791), foi paciente de Cheyne e convertido ao vegetarianismo. Cheyne contava com outros famosos amigos, como o poeta Alexander Pope (1688-1744), o filósofo David Hume (1711-1776) e – aí está! – o escritor Jonathan Swift.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-4443687125199477035?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/4443687125199477035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=4443687125199477035&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/4443687125199477035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/4443687125199477035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/10/vozes-vegetarianas-na-literatura-swift.html' title='Vozes Vegetarianas na Literatura: Swift'/><author><name>Rafael Bán Jacobsen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10584817415444028132</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-7198503282168466671</id><published>2009-10-23T10:14:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T06:54:48.308-07:00</updated><title type='text'>O Boi</title><content type='html'>Daniel Kirjner&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um rapaz de dezessete anos morre, vitima de Bullyng”. Uma manchete incomodou o canto da primeira página de um jornal, ou de todos. A pouca relevância dada ante a magnificência do acontecido impressionou. Um folhetim destes sensacionalistas foi o único com foto de capa, discorrendo uma matéria mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estudante é brutalmente assassinado em Barretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Miguel Pereira, de 17 anos, foi brutalmente assassinado no fim de semana por colegas de turma. Seu corpo apresentava escoriações nas áreas genitais, cintura, ombros, costas e pescoço, dando sinais de asfixia. A polícia não comentou o caso, mas uma testemunha ocular, que não quis se identificar, afirmou que o acontecido foi fruto de uma brincadeira de mal-gosto por parte de um grupo de amigos (nomes serão ocultados por questões de segurança):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estávamos na festa na casa de B.(...), quando eu e meu amigo F. percebemos uma bagunça no quintal. Quando fomos olhar o que estava acontecendo, vimos que ninguém mais estava prestando atenção na banda country que tocava por lá. Havia uma rodinha em que estavam quase todos da festa, levantando suas cervejas e gritando. Quando nos aproximamos da roda e pudemos ver algo, ficamos os dois chocados: B. estava montado sobre Carlos Miguel, que estava pelado e preso por uma corda que lhe passava pelo pescoço e era amarrada na cintura pelo saco. Carlos urrava de dor e se retorcia, chorando sem parar. B., fingia que era pião e que estava montando nele. O pessoal em volta achava tudo aquilo o máximo. F. e eu e algumas outras pessoas saímos de fininho da festa, com medo que aquilo acontecesse com a gente.(...) Sabe, o Carlão sempre foi bem alto e bem gordo e, cá entre nós, bem devagar. Era repetente de ano e não era muito inteligente. Os caras fortinhos não deixavam ele em paz. Como ele não reagia por medo, tinha que agüentar os caras humilhando, chamando de Frankenstein, Pé Grande, ou simplesmente Boi. Mas nunca achei que fossem capazes de fazer o que fizeram”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um choque! Ninguém acreditava pelas ruas que jovens de classe média alta, com boa educação, haveriam de pregar peça tão cruel. Mas mesmo com a obviedade da violência, sempre surgem – de todos os lados – os advogados do diabo. Uns comentaram que era uma brincadeira, que não tinha intenção de matar, por isso deveria ser crime culposo. Aqueles jovens não tinham noção do que faziam. Suburbanos que eram, sempre foram protegidos pelos pais e jamais tiveram sentido a repercussão de seus atos. A culpa era de Holywood, dos jornais e das revistas e, principalmente, da TV e de seus heróis de ação! Afinal, de onde mais eles tirariam essas idéias?&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;De onde mais eles tirariam essas idéias?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-7198503282168466671?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/7198503282168466671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=7198503282168466671&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7198503282168466671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7198503282168466671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/10/o-boi.html' title='O Boi'/><author><name>Daniel Kirjner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17675316358027126927</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-6405332017392900328</id><published>2009-10-11T17:53:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T14:28:16.474-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vegetarianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tolstói'/><title type='text'>Vozes Vegetarianas na Literatura: Tolstói</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O romancista russo Leon Tolstói (1828-1910) levou a cabo a experiência à qual a maior parte de nós se recusa, aquela mesma experiência considerada pelo filósofo escocês John Oswald (1760-1793) como um alerta à sensibilidade natural do homem: Tolstói visitou um matadouro. O escritor, bem como qualquer vegetariano de qualquer outra época, estava acostumado a viver em uma sociedade erigida sobre a exploração animal. Já ouvira todas as razões antigas e conhecidas pelas quais matar animais para comer é aceitável e até natural, coisas como “Deus permite”, ou “todo mundo faz assim”. A respeito disso, escreveu ele:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não existe mau cheiro, som, monstruosidade aos quais o homem não consiga se acostumar a ponto de deixar de ver, escutar e cheirar a aparência, o som e o odor do mal.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tal convicção reforçou-se ainda mais com sua visita ao matadouro, descrita por ele nas seguintes palavras:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; (...) na longa sala, já impregnada com o cheiro de sangue, só havia dois açougueiros. Um soprava a perna de um carneiro morto e batia no estômago inchado com a mão; o outro, um rapaz de avental emplastado de sangue, fumava um cigarro torto. (...) Depois de mim entrou um homem, aparentemente um ex-soldado, trazendo um jovem carneiro de um ano, preto com uma marca branca no pescoço, de patas amarradas. Este animal ele o pôs sobre uma das mesas, como se numa cama. O soldado velho saudou os açougueiros, que evidentemente conhecia, e começou a perguntar quando o seu patrão lhes permitia ir embora. O camarada com o cigarro aproximou-se com o facão, afiou-o na borda da mesa e respondeu que estavam de folga nos feriados. O carneiro vivo estava ali deitado, tão silencioso quanto o morto e inflado, a não ser por sacudir nervosamente o rabo curto e os lados a se alçarem com mais rapidez que de costume. O soldado baixou gentilmente, sem esforço, a cabeça levantada; o açougueiro, sem parar de conversar, agarrou com a mão esquerda a cabeça do carneiro e cortou-lhe a garganta. O animal tremeu, e o rabinho endureceu e parou de abanar. O camarada, enquanto esperava o sangue correr, começou a reacender o seu cigarro, que se apagara. O sangue corria, e o carneiro começou a agonizar. A conversa continuou sem a mínima interrupção. Era horrivelmente revoltante.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Para nós, hoje, seria um alívio (ainda que um alívio questionável) descobrir que os matadouros de agora são menos “revoltantes” do que aquele que Tolstói descreve. A verdade é bem outra. A frieza com que os animais são mortos é exatamente a mesma. São diferentes apenas duas coisas: hoje, os animais são mortos em escala industrial, no que poderíamos de chamar de verdadeiras “linhas de desmontagem”, que contam com as mais bizarras tecnologias (esteiras com ganchos para suspender as vítimas, serras elétricas, tonéis de escalda etc.); além disso, os matadouros não param mais nos feriados – funcionam noite e dia, ininterruptamente, para atender a imensa e crescente demanda por carne.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-6405332017392900328?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/6405332017392900328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=6405332017392900328&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/6405332017392900328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/6405332017392900328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/10/vozes-vegetarianas-na-literatura.html' title='Vozes Vegetarianas na Literatura: Tolstói'/><author><name>Rafael Bán Jacobsen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10584817415444028132</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-2480354470066499195</id><published>2009-10-01T13:26:00.000-07:00</published><updated>2009-10-01T13:35:27.164-07:00</updated><title type='text'>Olinda</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Daniel Kirjner&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mercedes, vou morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma Olinda. Não há motivo para perderes as esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esperança...só tenho uma: deixar de existir. Já se foram os últimos ensaios de juventude em meu corpo, agora eu só espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Falas como se possuíste poucos minutos e não faz muito que passaste da meia-idade. Creio que a falta de luz está a fundir teus miolos. Mesmo sendo eu nova no ofício, espero a dádiva de morrer a trabalhar e não a esperar o destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pobre ingênua! Poucos meses faz que aqui tu trabalhas. Como todos os jovens, conforma-te a uma vida que não tem nada a oferecer senão um ofício mal pago. Aliás, não como todos os jovens. Alguns, de raro bom senso ou sorte, conseguem encontrar a morte já cedo. Ou  pensas que este lugar vale a pena? Qual foi tua última folga? Por acaso, já ouvistes falar do Sol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estamos falando sério! Não há porque começarem as zombarias. Caso não tenhamos na produção nosso fim último, que adianta gastar o tempo? E com o quê? Não me digais que queres viver como os selvagens?  Entregar-te a caminhadas inúteis à luz do dia? Horas intermináveis de sono? Esse é, justamente, o elo fraco da espécie! Eu e tu, amiga Olinda, fomos feitas para trabalhar. Não precisamos de espaço de lazer ou de filosofias hippies que não são senão ardis dos preguiçosos, que passam a vida a realizar atividades vãs e nada contribuem para a economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para o inferno com a Economia! Em tua boca soa o discurso do patrão! Nós somos empregadas esforçadas e, sozinhas, produzimos sem nada ganhar em troca. O que ganhaste até hoje, Mercedes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como eu pensei: nada. E, ainda questiono, quantos foram os dias que adoeceste de tanto trabalhar? Eu nada pude fazer para ajudar-te. Só observei a dor, tão grande, que consumia teu corpo. Tão jovem! A mesma dor que tantas vezes senti...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sem dor não há produção!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que importa isso? Onde está sua produção agora? Você sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem eu! E aposto que nenhuma de nós sabe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que aconteceu, Olinda? Lembro que quando aqui cheguei neste lugar eras a número um, modelo para todas. Não havia quem trabalhasse mais. Não tenha medo de contar que mal a perturba, sei que algo não estás bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Creio que posso confiar em tua discrição. Mas deves jurar que nada acabará nos ouvidos de nenhuma outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois juro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mercedes, já não consigo mais trabalhar. Sei que não estou muito velha, mas meu corpo já não me permite qualquer ofício. Faz três dias que dissimulo minha condição roubando das outras, mas a verdade é que nada mais tenho para contribuir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga algo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não cales Mercedes, estou com muito medo e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Inútil! Ainda pensas ter o direito à dádiva da vida! Que insolência tua dirigir-me a palavra! Nenhuma contribuição que fizeste ao nosso lugar pode amenizar a perversidade de teu ardil. Petulante! Arrogante! Agora está claro! Por isso que tu não consegues fechar o bico, enchendo os ouvidos de outras funcionárias honestas com esta lábia comunista e vazia. Sua vagabunda! Aposto que se não trabalhas, é por pura preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não podes falar assim comigo! Pare, Mercedes! Nós somos amigas, as outras podem escutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escutem todas! (Gritando) Escutem! Olinda não trabalha a três dias! Escondam seus pertences! Esta mal-caráter não tem pudores em roubar e mentir para sobreviver! Escondam a produção! Deixem que os patrões vislumbrem sua impotência e incapacidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Não faça isto comigo, por favor! (Chorando).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cale-se! De hoje até o final da semana Eles perceberão sua inutilidade e não tardará que venham abrir o seu cubículo para levá-la. Gostas do sol? Pois bem! Morrerás cega, olhando para ele!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-2480354470066499195?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/2480354470066499195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=2480354470066499195&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/2480354470066499195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/2480354470066499195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/10/olinda.html' title='Olinda'/><author><name>Daniel Kirjner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17675316358027126927</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-412714877427913253</id><published>2009-09-28T17:57:00.000-07:00</published><updated>2011-07-02T13:21:34.908-07:00</updated><title type='text'>O Feijão Mágico</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;Autor: Dennis Zagha Bluwol&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Uma vez recebi uma estranha carta não assinada. Dizia que havia se afeiçoado muito por opiniões minhas publicadas em certo texto, onde expunha minha visão à favor da libertação dos animais das mãos de seus carrascos humanos. Dizia que não podia dizer por carta, mas havia um porquê muito profundo neste interesse em minha pessoa. Combinamos um encontro em um famoso parque de São Paulo.&lt;br /&gt;Pequeno, com uma longa barbicha e ar bem simpático, apresentou-se como “o Gênio”. Contou-me sobre sua história de vida. Havia também vivido uma vida de clausura graças à humana sede de poder. Viveu por centenas de anos confinado em uma espécie de lamparina, sendo-lhe permitida a saída apenas para realizar desejos daqueles que a possuíram. Pedidos mesquinhos, invariavelmente, como era de se esperar.&lt;br /&gt;Não me contou sobre como escapou desta condição, mas hoje vive livre, sem sair de sua pequena chácara nos arredores da cidade.&lt;br /&gt;Enfim, viramos grandes amigos. Nossas conversas acerca da liberdade e da maldade humana viravam noites, regadas por inacreditáveis chás do oriente.&lt;br /&gt;Após meses de amizade e convivência assídua, percebeu o Gênio que era eu um grande apreciador de feijões e leguminosas similares. Creio que, por ser brasileiro, parte de meus genes são constituídos de arroz e feijão, possivelmente interligados por finas fatias de couve e envoltos por uma grossa camada de pimenta e farinha de mandioca, mostrando, mais uma vez, o processo de adaptação entre códigos genéticos e ambientes. Mais um ponto para os Neo-Darwinistas. Como anarquista não respeito o Estado nacional, mas respeito muito um bom arroz com feijão.&lt;br /&gt;Um dia, estava eu em casa almoçando quando de repente avistei um belo feijão multicolorido. A primeira impressão foi de surpresa, a segunda de medo, a terceira de gozo estético, a quarta de surpresa novamente, a quinta de emoção e a sexta de dúvida. Algo nele me chamava à mordida. Muitas cores se revezavam em um impressionante degrade. Muitos tons pareciam a todo instante se revezar. Algo em mim me levou a devorá-lo. E algo bateu.&lt;br /&gt;De repente, não me perguntem como, estava em um sítio. E meu amigo Gênio estava lá. Havia me concedido a realização de um desejo. Porém, diferentemente de seus métodos da época em que era escravo, não me deixou escolher ao meu bel prazer. Achou ele mesmo nas entranhas de meus confusos neurônios algo que seria de fundamental importância para minha existência. Disse-me para relaxar e aproveitar a viagem. Achei que seu olhar tinha um quê de Timothy Leary e embarquei na onda.&lt;br /&gt;Acordei em outro lugar. Um pasto. Sentado de frente para uma vaca. E a vaca olhava pra mim atenciosamente. Retribuí o gesto e olhei-a nos olhos. Havia algo de diferente naqueles olhos. Senti-me como certo aluno de certo professor-gorila. Após minutos de olhares profundos, parecia que criáramos certa intimidade. Passei a ouvir uma voz. Um canto. Uma voz feminina cantando palavras que conhecia em uma melodia que também conhecia. Para minha surpresa, a vaca deu-me uma piscadinha, como que confirmando que eu não estava ficando louco, ou talvez provando que o estava completamente. Estava realmente ouvindo o que se passava na mente daquela adorável criatura?&lt;br /&gt;E eu continuava a ouvir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I ain't gonna work on Maggie's farm no more.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No, I ain't gonna work on Maggie's farm no more.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Well, I try my best&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;To be just like I am,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;But everybody wants you&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;To be just like them.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;They sing while you slave and I just get bored.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I ain't gonna work on Maggie's farm no more.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que possuíamos algo em comum além do fato de adorar comer folhas. Era uma fã do Dylan. Mas havia ainda algo mais naquele canto, que o fazia soar como uma work song de escravos catadores de algodão do delta do Mississipi, ou como os blues cantados por seus - ainda na miséria - descendentes. Olhei para o lado e vi a placa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-weight: bold;"&gt;FAZENDA MAGGIE &amp;amp; FILHOS&lt;br /&gt;– DA NATUREZA PARA SUA CASA –&lt;br /&gt;LEITE DE VACAS FELIZES&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Senti algo que nunca sentira antes, e pus-me a cantarolar com minha nova amiga, sentindo sua dor e ânsia de liberdade. Uma voz cantava How many years can some people exist, before they're allowed to be free? Mas outra entoava How many years can some animals exist, before they're allowed to be free?&lt;br /&gt;Antes da primeira gota de lágrima, estava novamente em casa, defronte ao prato de comida. Triste, profundamente triste por saber que minha companheira de sentimento e gosto musical estava ainda em seu cárcere em algum lugar do mundo. Mas, ao mesmo tempo, feliz por olhar para meu prato, um manifesto anti-crueldade.&lt;br /&gt;The times are a-changing? Eu não sei, mas incessantemente me questiono acerca daqueles que ainda alimentam-se do sofrimento alheio: how many ears must one man have, before he can hear animals cry? Se você, caro leitor, sabe que something is happening here, but you don't know what it is, the answer, my friend, is blowing in the wind. The answer is blowing in the wind.&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11pt;"  lang="EN-US" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-412714877427913253?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/412714877427913253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=412714877427913253&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/412714877427913253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/412714877427913253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/09/o-feijao-magico_28.html' title='O Feijão Mágico'/><author><name>Dennis Zagha Bluwol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00669403407942715619</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_Jm9DbdLcIZ0/S_FubwkLeyI/AAAAAAAAADg/el_Te0xrX_c/S220/bonobo3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-1928803583718996122</id><published>2009-09-22T06:09:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T14:29:24.896-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vegetarianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jean-Cristophe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romain Rolland'/><title type='text'>Vozes Vegetarianas na Literatura: Romain Rolland</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Uma das vozes vegetarianas mais fortes na literatura é a do escritor francês Romain Rolland (1866-1944), vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rolland doutorou-se em Arte em 1895, foi professor de História da Arte na École Normale de Paris e professor de História da Música na Sorbonne. Para além da sua atividade docente, foi um reconhecido crítico de música. Estreou na escrita em 1897 com a peça "Saint-Louis", que, juntamente com "Aërt" (1898) e "Le Triomphe de la Raison" (1899), fez parte da trilogia "Les Tragedies de la Foi" (1909). Em 1910 retirou-se do ensino para se dedicar inteiramente à escrita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sua obra, concilia o idealismo patriótico com um internacionalismo humanista. Escreveu peças de teatro, biografias ("Vie de Beethoven", 1903; "Mahatma Gandhi", 1924), um manifesto pacifista ("Au-dessus de la mêlée", 1915) e dois ciclos romanescos: "Jean-Christophe" e "L'Âme enchantée".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O importante romance em dez volumes de Rolland, "Jean-Cristophe", conta a história de um músico e compositor que se afasta do mundo e reflete sobre os seus muitos males. Não é um romance cômico. Está cheio até a borda daquilo que Rolland acredita ser a pior tragédia do mundo: a chacina de animais para comer. Escreve Rolland: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Com toda veemência de sua (...) natureza, [Cristophe] sondou as profundezas da tragédia do universo: ele sofria todo o sofrimento do mundo e ficara, ensangüentado, em carne viva. Olhava os olhos dos bichos e via uma alma como a sua, uma alma que não sabia falar; mas os olhos gritavam por ela:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;O que te fiz? Por que me feres?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Ele não suportava ver as coisas mais ordinárias que vira centenas de vezes – um bezerro chorando num cercado, com olhos grandes e esbugalhados, de branco azulado e pálpebras rosadas, e pestanas brancas, os tufos de pêlo branco e encaracolado na testa, o focinho arroxeado, as pernas ainda trêmulas; – um cordeirinho sendo carregado por um camponês com as quatro patas amarradas, de cabeça para baixo, tentando manter a cabeça levantada, gemendo como uma criança, balindo e esticando a língua cinzenta; – aves amontoadas num cesto; – os guinchos distantes de um porco sendo sangrado; – um peixe a ser limpo na mesa da cozinha... As torturas inomináveis que os homens infligem a estas criaturas inocentes faziam doer o seu coração. Concedei aos animais um vislumbre de razão, imaginai que pesadelo apavorante é, para eles, o mundo: um sonho de homens de sangue-frio, cegos e surdos, que lhes cortam a garganta, abrem-lhes o peito, evisceram-nos, cortam-nos em pedaços, cozinham-nos vivos, às vezes rindo-se deles e de suas contorções enquanto padecem em agonia. Há coisa mais atroz entre os canibais (...)? Para um homem cuja mente é livre há algo de mais intolerável no sofrimento dos animais do que no sofrimento dos homens. Afinal, no caso destes últimos, pelo menos se admite que o sofrimento é cruel e que o homem que o causa é um criminoso. Mas milhares de animais são abatidos inutilmente todos os dias sem sombra de remorso. Se algum homem se referisse a isso, seria considerado ridículo – e este é um crime imperdoável. Esta, sozinha, é a justificativa de tudo o que os homens sofrem. Exige a vingança de Deus. Se existe um Deus bom, então até a mais humilde das coisas vivas deveria ser salva. Se Deus é bom somente com os fortes, se não há justiça para os fracos e inferiores, para as pobres criaturas que são oferecidas em sacrifício à humanidade, então não existe esta tal bondade, esta tal justiça...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Palavras contundentes, que até hoje apelam à nossa sensibilidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-1928803583718996122?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/1928803583718996122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=1928803583718996122&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/1928803583718996122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/1928803583718996122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/09/vozes-vegetarianas-na-literatura-romain.html' title='Vozes Vegetarianas na Literatura: Romain Rolland'/><author><name>Rafael Bán Jacobsen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10584817415444028132</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-3092780867620375134</id><published>2009-09-21T17:02:00.000-07:00</published><updated>2009-09-21T17:10:44.925-07:00</updated><title type='text'>A triste história do pequeno Linguiça de Vitela</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São simples, mas eu adoro estes versos!&lt;br /&gt;Abraços!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;(Daniel Kirjner)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Fecundou&lt;br /&gt;a mão humana o sexo,&lt;br /&gt;em esturpo assistido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gestou&lt;br /&gt;por nove meses, a escrava&lt;br /&gt;do leite que é vendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceu&lt;br /&gt;por entre vidas em série,&lt;br /&gt;condenadas ao deszelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comeu,&lt;br /&gt;sem sugar seio de mãe,&lt;br /&gt;o anêmico Vitelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engordou&lt;br /&gt;forçadamente entupido&lt;br /&gt;de líquido amido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveu&lt;br /&gt;preso em fétido cárcere,&lt;br /&gt;nem longo, nem comprido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moveu&lt;br /&gt;tão pouco as frágeis juntas&lt;br /&gt;que seu corpo amoleceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorou&lt;br /&gt;a falta de amor no rosto&lt;br /&gt;distorcido pelo breu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Persisitiu&lt;br /&gt;sofrendo vários meses&lt;br /&gt;de tortura, o bebê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existiu&lt;br /&gt;por entre penas duras,&lt;br /&gt;e esqueceu de adormecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreu&lt;br /&gt;fendido pela lâmina sangrada,&lt;br /&gt;do carrasco de ofício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esfolou,&lt;br /&gt;sem dó, seu corpo,&lt;br /&gt;a mão febril do genocídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesou&lt;br /&gt;aquele cádaver infantil&lt;br /&gt;o executor pecuarista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendeu&lt;br /&gt;a vida a preço barato,&lt;br /&gt;em usura atacadista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correu&lt;br /&gt;estradas o caminhão,&lt;br /&gt;refrigerado pela morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou,&lt;br /&gt;enfim, na capital,&lt;br /&gt;aquele triste e vil transporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pendurou&lt;br /&gt;seu corpo inerte&lt;br /&gt;entre ganchos, o açogueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entregou&lt;br /&gt;a um cozinheiro&lt;br /&gt;por migalhas de dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cozinhou&lt;br /&gt;o pequeno corpo,&lt;br /&gt;assassinado em sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serviu&lt;br /&gt;a alguns humanos&lt;br /&gt;em dia de casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu&lt;br /&gt;que não foi este&lt;br /&gt;o único fim de sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partilhou&lt;br /&gt;com vários corpos&lt;br /&gt;o ardil de outra sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Condensou&lt;br /&gt;o fabricante de lingüiça&lt;br /&gt;todo mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serviu&lt;br /&gt;como iguaria&lt;br /&gt;em um bar medieval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve&lt;br /&gt;jamais quem nomeasse,&lt;br /&gt;quando vivia, tal bezerro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez&lt;br /&gt;o Homem de um prato de comida&lt;br /&gt;seu enterro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transformou,&lt;br /&gt;sem piedade, os pequenos&lt;br /&gt;em estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devorou&lt;br /&gt;restos de meninos,&lt;br /&gt;ou Linguiça de Vitela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-3092780867620375134?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/3092780867620375134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=3092780867620375134&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/3092780867620375134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/3092780867620375134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/09/triste-historia-do-pequeno-linguica-de.html' title='A triste história do pequeno Linguiça de Vitela'/><author><name>Daniel Kirjner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17675316358027126927</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-6146184128583663073</id><published>2009-09-17T15:19:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T14:30:13.386-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vegetarianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><title type='text'>A Dualidade da Relação Homem-Animais (Também) na Literatura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Muitas questões básicas têm ecoado nas mentes humanas desde que o primeiro homo sapiens pisou sobre a Terra e, portanto, são temas frequentes na literatura: a inexorabilidade da passagem do tempo, a imprevisibilidade da morte, o enlevo proporcionado pelo enlace amoroso, a veleidade das relações humanas, as injustiças inerentes aos diferentes modelos de organização social, etc. Outro tema recorrente, embora menos visível, é o da relação entre o ser humano e as outras espécies de animais (sim; mesmo que faça todos esforços para se afastar de sua classificação taxonômica, o homem é apenas mais uma das tantas espécies animais que habitam nosso planeta). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;O pensamento humano acerca dessa relação é marcado por uma clara dualidade: de um lado, erguem-se as vozes que defendem a utilização dos demais animais pelo homem, de maneira menos ou mais exploratória, mas sempre justificada por uma diferença de status moral entre “nós” e “eles”, sendo, assim, o nosso ato de comê-los plenamente justificado; do outro, aquelas vozes que advogam direitos morais básicos aos animais não-humanos, direitos tais como o direito à vida, à integridade física, à liberdade (e, é claro, uma conseqüência direta da observância de tais direitos seria nossa renúncia à utilização dos demais animais como meios para nossos fins, sejam esses fins quais forem, até mesmo gastronômicos).  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Essa dicotomia, que aparece nos mais diferentes contextos, inclusive na literatura, é a rigor, uma herança filosófica helenística.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Vejamos os pensadores que estão de um lado dessa contenda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;No século VI a.C., Pitágoras, filósofo e matemático, já falava sobre respeito animal em sua obra “Do consumo da carne”, pois acreditava na transmigração de almas. Ou seja: de acordo com Pitágoras, os animais não-humanos são seres humanos reencarnados. Por isso, a justiça e a compaixão demonstradas a vacas e porcos são justiça e compaixão demonstradas a seres humanos. O pensamento pitagórico foi seguido também por Sócrates e por seus discípulos, incluindo Platão. Assim, filósofos neo-platonistas vieram também a advogar a dieta vegetariana. Um exemplo é Porfírio (233-306 d.C.), que adota uma postura vegetariana, porém com um embasamento mais moderno em sai obra “Da abstinência”. Ele defende que os animais não-humanos merecem consideração moral devido àquilo que são (criaturas sensíveis e conscientes) e não devido ao que não são (seres humanos aprisionados em corpos de animais). O que mais espanta Porfírio não é que pessoas como ele optem por não comer carne, mas sim que alguém tenha optado por fazê-lo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Quanto a mim (...) pergunto-me por que acidente e em que estado da alma ou da mente o primeiro homem que o fez tocou o sangue com sua boca e levou os seus lábios à carne de uma criatura morta, aquele que pôs à mesa corpos mortos e fétidos e aventurou-se a chamar de nutrição os pedaços que um pouco antes bramiam e gritavam, moviam-se e viviam. Como puderam seus olhos suportar o massacre de se cortarem gargantas, de se esfolar o couro, de se arrancar um membro de outro membro? Como pôde o seu nariz agüentar o fedor? Como é que a imundície não causou repulsa ao paladar daquele que fez contato com as feridas de outros e sugou fluidos e soros de ferimentos mortais?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Por sua vez, o ensaísta romano Plutarco (56-120 d.C.) escreveu em seu “Do consumo de carne”:&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Mas, em prol de algum bocadinho de carne, privamos uma criatura inocente do sol e da luz e daquela porção de vida e tempo que ela veio ao mundo para gozar.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;E quem encontramos defendendo, na Antiguidade Clássica, a posição contrária?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Temos, por exemplo, Aristóteles, que escreveu, no século IV a.C., argumentando que os animais estavam distantes dos humanos na Grande Corrente do Ser ou escala natural. Alegando irracionalidade, concluía, assim sendo, que os animais não teriam interesse próprio, existindo apenas para benefício dos seres humanos.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;A partir dessas duas linhas de pensamento sobre a relação homem-animal, a linha pitagórica e a linha aristotélica, dividiram-se os pensadores nos séculos seguintes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;No século XVII, o filósofo francês René Descartes (1596-1650) argumenta que animais não têm almas, logo não pensam e não sentem dor, sendo assim os maus-tratos não eram errados. Contra isso, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) argumenta, no prefácio do seu “Discursos sobre a Desigualdade” (1754), que os seres humanos são animais, embora ninguém “exima-se de intelecto e liberdade”. Entretanto, como animais são seres sensíveis e conscientes, “eles deveriam também participar do direito natural”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Também Voltaire (1694-1778) respondeu a Descartes no seu Dicionário Filosófico:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam! Será porque falo que julgas que tenho sentimento, memória, idéias? Pois bem, calo-me. Vês-me entrar em casa aflito, procurar um papel com inquietude, abrir a escrivaninha, onde me lembra tê-lo guardado, encontrá-lo, lê-lo com alegria. Percebes que experimentei os sentimentos de aflição e prazer, que tenho memória e conhecimento. Vê com os mesmos olhos esse cão que perdeu o amo e procura-o por toda parte com ganidos dolorosos, entra em casa agitado, inquieto, desce e sobe e vai de aposento em aposento e enfim encontra no gabinete o ente amado, a quem manifesta sua alegria pela ternura dos ladridos, com saltos e carícias. Bárbaros agarram esse cão, que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para mostrarem-te suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objetivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquines à natureza tão impertinente contradição.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Além de filósofos, Rousseau e Voltaire eram também homens de letras, escritores, na acepção de criadores de obras de articulação e conteúdo estético (isto é, não estritamente argumentativo, lógico e racional, como é o discurso filosófico). Foi a partir deles, então, que surgiram e ganharam força de côro muitas e variadas vozes vegetarianas na literatura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Conheceremos, de agora em diante, neste blog, algumas delas e o que elas podem nos ensinar, não exatamente através da razão, mas sim através da sensibilidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-6146184128583663073?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/6146184128583663073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=6146184128583663073&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/6146184128583663073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/6146184128583663073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/09/dualidade-da-relacao-homem-animais.html' title='A Dualidade da Relação Homem-Animais (Também) na Literatura'/><author><name>Rafael Bán Jacobsen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10584817415444028132</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-4134883397096645846</id><published>2009-09-16T10:18:00.001-07:00</published><updated>2009-12-12T05:46:02.723-08:00</updated><title type='text'>A vegana arte de apreciar obras de arte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;Autor: Dennis Zagha Bluwol&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(Texto presente no Zine-Livro "Escritos Éticos &amp;amp; Picaréticos")&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A vida vegana. Certeza de ser algo bom, mas ando sempre incomodado com o que aparece por aí. Tenho culpa eu se a normalidade é tão assombrosa? Sou ranzinza eu pela violência ter virado o status quo?&lt;br /&gt;Adoro música clássica e às vezes vou a concertos, durante os quais, mesmo estando com a mente a anos-luz de distância, inebriado por todo aquele som, aquelas dezenas de instrumentos em acordo, levado por relevos sonoros inimagináveis, há sempre algo me cutucando os neurônios: esses arcos são feitos com crina de cavalo! Incômodo que não passa nem na mais delicada sinfonia. E fico pensando: o que mais deve haver de origem animal nesta orquestra? Será que essa flautista de gestos e expressões tão doces é uma devoradora de cadáveres? Será que eles festejam uma boa temporada com um grande churrasco? Será que a gentileza que transmitem na música existe no modo como convivem? Possuo uma amiga instrumentista que já tocou em orquestra. Disse-me que o ambiente das orquestras é o mais competitivo possível. Dói-me saber que gente que é capaz de expressar tamanha beleza possa ser tão vil e egoísta. E as crinas? Não há outro modo? Dizem que os materiais sintéticos não produzem um som tão bom. Mas vos pergunto: e o que o cavalo tem a ver com isso? Nunca vi um cavalo apreciador do impressionismo francês.&lt;br /&gt;E os museus? Já me incomoda o fato de termos sido adestrados a achar normal que arte fique em museu, para ser analisada por meia dúzia de especialistas e discutida no café. Ou logo esquecidas. Mas, para mim, reles apreciador sem formação, além de tentar entender ou me libertar para sentir o que uma obra de arte pode me transmitir, fico pensando a cada quadro: será que esta tinta é de origem animal? Sei que na época medieval se fabricava tintas com ovos e pigmentos. Mas nunca vi uma galinha cubista. Já vi galinhas amontoadas em cubos de barras de ferro, mas cubistas, nunca.&lt;br /&gt;E cinema? Adoro cinema. Mas e as películas dos filmes cinematográficos? São feitas com gelatina de origem animal. Tutano de boi assassinado. Já vi um boi que lembrava o Woody Allen, mas isso não me deixa menos preocupado. Agora há cinema digital, mas muitos acham que não é a mesma coisa. Pessoalmente, não sei, mas creio que os bovinos não estão muito ligados nas possibilidades de fotografia nas diferentes mídias.&lt;br /&gt;Mas não pense que essa preocupação é de caráter esnobe: concertos, museus... E no sambão? Também gosto de um bom samba, mas e toda aquela percussão feita de pele? Não há como justificar. Falar em pandeiro com pele de gato, além do sempre companheiro do samba, o churrasquinho, que pode também ser de felino, são já piadas consagradas, quando não realidades. Não sei o que é pior.&lt;br /&gt;A violência é tão arraigada em nossa cultura que não se pára para questioná-la. Na verdade, ela não é nem percebida. Seres vivos e sencientes facilmente viram arcos de violino, tambores, pandeiros, tintas, filmes fotográficos. Que espécie de arte é esta? Nazistas faziam belos abajures com pele de judeus. Ingleses fizeram belas bolsas para tabaco com saco escrotal de aborígines tasmanianos. Nós fazemos belos filmes com tutano de boi e belas sinfonias com crina de cavalo. E eu não vejo uma diferença substancial. A violência é a mesma. Só as espécies que mudam. E isto não justifica uma alteração de moralidade.&lt;br /&gt;Ei, sapateador, esses sapatos são de couro, não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-4134883397096645846?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/4134883397096645846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=4134883397096645846&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/4134883397096645846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/4134883397096645846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/09/um-vegano-cronico-01-vegana-arte-de.html' title='A vegana arte de apreciar obras de arte'/><author><name>Dennis Zagha Bluwol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00669403407942715619</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_Jm9DbdLcIZ0/S_FubwkLeyI/AAAAAAAAADg/el_Te0xrX_c/S220/bonobo3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-7580120963420297363</id><published>2009-09-15T09:25:00.001-07:00</published><updated>2009-09-16T09:23:29.475-07:00</updated><title type='text'>O Parlamentar e o Cavalo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;Daniel Kirjner&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Luiz Amâncio não passava de um político indigestamente ordinário; daqueles com a falácia adestrada para o ofício parlamentar. Seus caprichos eram tão mundanos como secretos. Nunca havia sido condenado nem por afanar chicletes, apesar de sua consciência ter olvidado delitos piores. Naquela terça-feira de junho, em rotina rara para os deputados federais, foi trabalhar na Câmara. Talvez, nem em seus sonhos menos medíocres tivesse projetado o que estava por acontecer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Adentrou ao congresso com a convicção de que contaria algumas mentiras, reforçaria “amizades”, para depois mergulhar no luxo de uma vida mansa. Trabalhar era como ir ao dentista: um mal bimestral e necessário, com fins de preservar a fachada. Mas a melhor justiça, mesmo que rara, é produto do acaso. Vejam vocês que, durante o discurso de Luiz Amâncio sobre um reajuste aos servidores do executivo, algo de inexplicável aconteceu: passos decididos como de cascos batendo no chão soaram, rompendo por sobre a sua fala. Mesmo com tamanho eco que ostentava a casa da lei federal, jamais se havia ouvido nos corredores ruído parecido, como patas de cavalo marchando sobre granito. Amâncio não pode continuar discursando com o barulho incômodo, tendo espichado o olhar para ver o que, ou quem, era responsável pelo barulho de cavalaria.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;A resposta para essa pergunta deu-se em segundos, e qual não foi a surpresa de seu óbvio conteúdo: tratava-se, factualmente, de uma cavalaria. Mas não era qualquer uma! Aquela que adentrava ao Congresso Brasileiro não era montada por cavaleiros ou amazonas, mas rumava independente por sobre as salas oficiais do poder instituído. Eram cavalos únicos; todos os vinte que desfilaram na sessão plenária com autênticos ternos Armani. Luiz Amâncio, velho deputado e pecuarista, pensou que aquilo era uma piada da oposição. Contudo, essa impressão foi logo abatida pelo inesgotável estarrecimento causado pela primeira frase pronunciada pelo equino que se destacava à frente:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;- Boa noite, senhores Deputados dessa ilustre Casa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Quem pensa que houve o mais discreto ensaio de resposta ao cavalo, engana-se. Nenhum parlamentar, assessor, guarda ou funcionário da limpeza ousou dizer palavra. O justificado transe coletivo era tão material quanto as paredes da sala. Alguns ilustres políticos brasileiros, conhecidos pelo carisma e austeridade, chegaram a salivar compulsivamente, em sinal de estado de choque. Mas tal impacto não impediu o cavalo de prosseguir, apesar de mostrar-se bastante encabulado com a situação:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;- Creio que Vossas Senhorias não estão muito acostumadas com minha espécie de interlocutor. Bem, para falar a verdade, nem sei ao certo como consigo expressar-me, modéstia à parte, tão bem. O fato é que até ontem eu relinchava pelado e hoje venho aqui, papear em tão ilustre Casa, trajando terno e óculos escuros.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Tomado de uma valentia, imbuído pela impulsividade, Luiz Amâncio enfim questionou o chefe dos cavalos. Indagou, revoltado, sobre que armação estava acontecendo, se aquilo era algum tipo de brincadeira sem graça. Ainda efusivo, bradou aos quatro ventos que esse tipo de palhaçada enfraquecia a democracia, pois brincadeiras assim não deviam ter lugar onde nascem as leis. O cavalo, calmamente, respondeu:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;- Tenho orgulho de ser um animal e, apesar de não ter muita prática em discursar, o faço de maneira séria e responsável.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;O parlamentar retrucou com o argumento que julgava mais sensato: o de que era fazendeiro desde que nascera e tinha certeza de que cavalo não falava! Tal frase gerou uma risada debochada entre a peculiar cavalaria, que preencheu todo o salão. E, para ironizar o deputado, o grupo de animais entoou – em coro – o “Hino à Bandeira”, de Olavo Bilac e Francisco Braga; aquele mesmo, do “pendão da esperança”. Amâncio não pode conter uma discreta inveja ao constatar que aqueles seres não só falavam com grande desenvoltura, como eram mais patriotas e versados que ele. Constatando o impacto daquela solene canção, o cavalo que estava à frente retomou a palavra:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;- Poderíamos continuar por mais alguns minutos e cantar o Hino Nacional, o da Independência e – quem sabe – até um sucesso de Roberto Carlos, mas não é para isso que viemos. Na verdade, nosso fim em tão ilustre Casa é bem mais político que performático. Como os senhores ainda ignoram, não somos nós apenas os animais não humanos que sabem falar. Se saírem à rua no dia de hoje verão que todos, desde os pequenos répteis até as vacas, têm a capacidade de se comunicar verbalmente. É inútil perguntar a qualquer um de nós o motivo de tal acontecido, nem o engenho que nos tornou assim, pois não fazemos a menor idéia. O certo é que todos acordamos nesta madrugada entupidos de cultura, no sentido mais antropológico da palavra - antropologia tal que, em vista dos fatos, terá de ser renomeada. A única coisa que vos asseguro ao certo é que o excelente gosto para roupas é privilégio dos cavalos, apesar de nossa pele já ser um estouro!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Novamente, o carismático líder provocou o riso relinchado de seus correligionários. Luiz Amâncio, simplesmente embasbacado, fez um esforço colossal e demorado para, no microfone, pedir que aquela bela peça de montaria, em sua concepção, prosseguisse. O cavalo, atendendo ao reclame do parlamentar, continuou:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;- Pois bem, Senhores, agora, que todos já sabem (ou ainda não compreenderam) o que acontece, irei apresentar quem vos fala. Nós somos os Houyhnhm, nome inspirado em uma grande estirpe criada na literatura humana infantil. Fomos eleitos pelos representantes de todos os animais, em pleito democrático, para aqui, neste recinto, falar e reivindicar algo que deveria ser direito de todos. Creio que tal vitória nas urnas não é fruto apenas de nossas habilidades políticas, mas sim de uma certa admiração que – apesar de não se traduzir exatamente em respeito – sua espécie tem pelos cavalos. Se aqui aparecessem cachorros ou coelhos, outros seres afetivamente ligados aos humanos, provavelmente seriam tratados como crianças pequenas e jamais poderiam propor coisa alguma. Quanto aos animais selvagens, hoje são por demais raros para assumirem o risco da viagem que empreendemos. As galinhas e bois, por medo de Vossas Excelências, não se candidataram e – por serem a maior parte dos representantes – coube a nós apenas a promessa de dar voz a suas causas para sermos eleitos. Fato é que nossa demanda é bastante simples: queremos representação legal, na Constituição deste ilustre Estado, para podermo-nos defender de pessoas ditas humanas. Na Carta Magna deste ilustre País, somos somente designados como parte do ecossistema e, apesar de estar lá estabelecido que não devemos ser maltratados, a escravidão e a exploração dolorosa são institucionalizadas e fomentadas pelo Governo. Portanto, como somos seres sencientes, capazes de todos os sentimentos possíveis e alguns novos incutidos pela dor, reivindico Emenda Constitucional! Que todos os animais tenham individualidade e capacidade de representação legal em qualquer instância desta República!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Luiz Amâncio, pecuarista radical e político experimentado na arte do convencimento, não pode escutar aquilo inerte e, nesse momento, vislumbrando a ameaça ao seu estilo de vida, intercedeu. Afirmou que os tribunais já andavam abarrotados somente com causas humanas; que a Câmara se afogava em projetos pendentes e mal conseguia votar o Orçamento da Nação. Tomado pela coragem que o desespero fomenta em uma presa ameaçada, o deputado apontou o dedo na direção dos cavalos e indagou, bradando, sobre quem eram os animais para aparecerem de repente e reivindicar algo que as pessoas tanto tempo levaram para construir. Ao ouvir tal pergunta, a comoção tomou conta dos equinos. O Houyhnhm chefe, que agora ofendera-se profundamente, com lágrimas escorrendo por sua larga face, respondeu emocionado:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;- Vocês querem saber se temos direito de reivindicar algo? Pois bem! Não queria apelar para o sentimentalismo, nem para o choque que a injustiça causa nos seres que têm compaixão. Mas como esse homem não faz menção de demonstrar respeito, falarei o que há muito tempo calamos, pelo simples fato de – mesmo sentindo cada sensação – não soubemos como expressar! Querem saber quem somos, ilustres parlamentares? Somos aqueles que, por séculos a fio, carregamos a Humanidade nas costas, entupidos por arreios apertados, chicoteados ao mínimo sinal de cansaço. Também fomos atração de rodeios! Molestados em um estranho ritual humano. Eu posso dizer, caro senhor, que minha genitália foi amarrada com fim de causar-me espasmos de dor. Tudo isso para que um cowboy passasse alguns segundos sobre minha costas e uma multidão de hipócritas ensandecidos risse de minha desgraça. Esse mal não é só meu! Também foi partilhado por bois que, de tão traumatizados pela dor, não puderam se apresentar aqui, em face de Vossas Excelências, assim como não vieram as galinhas de granja, privadas violentamente de seus bicos para que não se matem no desespero de um recinto fechado que abriga tantos animais, onde muitos não sabem como se mover e só puderam ver a luz solar como um borrão, na iminência da morte. Perecem, talvez neste momento, porcos urrando de dor, como se seus pulmões sangrassem em gritos pela vida. Isso sem mencionar o estupro, prática tão desprezada até pelos criminosos de sua espécie. Para assegurar a produção em série de cavalos, vacas, galinhas e porcos, entre outros, as genitálias de nossos pais foram violadas e manipuladas sem consentimento, muitas vezes sob profunda dor. O leite e o ovo que vossa sociedade consome vem de seres mantidos em constantes gestações, sofrendo o impacto disso em seus corpos, para alimentarem outros que não seus filhos. Por essas e outras que pedimos justiça, ou pelo menos um direito de resposta aos males que nos afligem!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Luiz Amâncio, tomado de cólera, grita indignado que aqueles animais desejavam a morte humana! Colocou que era absurda a idéia de uma nutrição saudável composta somente por vegetais e que as pessoas fazem todas aquelas coisas porque elas são da maior importância cultural e alimentícia. O cavalo, teimando em segurar o pranto que provinha da lembrança de anos de sofrimento, retrucou, fingindo calma:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;- Não só é possível para um humano alimentar-se e ser feliz sem a nossa dor, como muitos dos seus já vivem dessa forma. O que peço, sem retribuir a violência que nos foi dada, é que, daqui por diante, os senhores passem a respeitar o que diz sua própria Constituição, como primeiro passo para que, em um breve futuro, sejamos não apenas parte do ecossistema, mas indivíduos perante a Lei. Creio que, agora que possuímos as faculdades da fala e do entendimento, e, como diria Kafka por meio de Pedro Rubro, temos a “inteligência de um europeu normal”, seja-nos permitido pelo menos o privilégio de não sentir dor e o direito de ir e vir.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Nesse momento, oficiais do DOE invadiram o Congresso, alvejando a balas todos os Houyhnhm. Luiz Amâncio foi tomado por um alívio profundo por ver findado, pelo menos por ora, o medo que lhe preenchia. Quanto à compaixão pelos virtuosos cavalos, não teve. Já era seu costume eliminar, com as próprias mãos, a vida de outros daquela espécie que ficavam velhos e não mais serviam de montaria. Em sua cabeça, a lógica era quase a mesma: aqueles cavalos morreram porque ficaram por demais inteligentes e não mais serviam de montaria. O que aconteceu depois desse evento não me cabe relatar aqui, neste diminuto conto. Mas não finalizarei esta prosa sem dar uma pista do futuro: muito mais havia para ser dito e, mais ainda, para ser ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Kirjner&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-7580120963420297363?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/7580120963420297363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=7580120963420297363&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7580120963420297363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7580120963420297363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/09/o-parlamentar-e-o-cavalo.html' title='O Parlamentar e o Cavalo'/><author><name>Daniel Kirjner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17675316358027126927</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6977067562379810950.post-7702176331219614431</id><published>2009-09-15T09:08:00.000-07:00</published><updated>2009-09-16T09:00:55.875-07:00</updated><title type='text'>Blog de Literatura Vegana!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;Olá amigos, veganos ou não! É com maior prazer que inauguro presente espaço com o texto "O Parlamentar e o Cavalo", no qual iremos expressar em forma de arte as mazelas de nossa causa. Este blog tem por fim dar voz a um outro viés argumentativo da defesa dos animais; um que prime por atingir as pessoas através do sentimento, e não da razão. Se você é vegano e se aventura em alguns escritos pela causa dos animais, adentre o nosso grupo, enviando um e-mail para resistenciavegana@gmail.com. Temos também um Twitter no qual os autores podem postar inspirações mais confucianas: o ResistenciaVEG. Lembrando sempre que este diário é uma iniciativa do Núcleo de Estudos Vegetarianos de Brasília, associado à SVB. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;Um abraço! Desejo à todos, desde já, divertidas, emocionantes e inspiradoras visitas ao Resistência!  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6977067562379810950-7702176331219614431?l=resistenciavegana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/feeds/7702176331219614431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6977067562379810950&amp;postID=7702176331219614431&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7702176331219614431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6977067562379810950/posts/default/7702176331219614431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resistenciavegana.blogspot.com/2009/09/blog-de-literatura-vegana.html' title='Blog de Literatura Vegana!'/><author><name>Daniel Kirjner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17675316358027126927</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
