domingo, 23 de setembro de 2012

Poema de Vigília

Olá pessoal. Sei que o Blog anda meio morto, mas hoje aconteceu uma coisa que me deu inspiração para continuar. Escrevi e recitei um poema para introduzir a vigília do Weeac - Dia mundial pelo fim da Crueldade e Exploração Animal. O fiz sem pretensão alguma, apenas como um desabafo vegano. Acontece, que meus versinhos tocaram algumas pessoas e movido por isso os posto aqui em homenagem a todos os seres sencientes que sofrem a opressão humana e a todos os militantes pelos direitos animais.

Abraço a todos.


Poema de Vigília (Daniel Kirjner)


Hoje o sol nasceu na cor vermelha.
Não pelo desvio da Luz
que o desvario ótico conduz
a um delírio em cada centelha.

Seu brilho rubro, neste dia,
é o luto ao oculto que jaz nos prados,
nos circos, almas e supermercados,
no verbo inaudível de uma cela fria.

E, olhando o firmamento,
eu, que nada de Deus acredito,
chorei uma oração castrada de mito,
de palavras sagradas jogadas ao vento.

Lembremos daqueles que habitam os pratos,
que jazem partidos por preços baratos,
privados no ventre do gosto da vida.

Lembremos daquela de quem tomaram o leite,
a quem estupraram com o punho do açoite,
roubando seus filhos de sua acolhida.

Lembremos dos filhos, apenas crianças,
produtos da fome, fetos sem herança,
bebês engolidos na fome dos séculos.

Lembremos do escravo do homem do circo,
elefante enforcado em nó corrediço,
por quebrar com coragem a corrente sem elos.

Lembremos do bico do frango sem luz,
ceifado da face pela mão que o conduz
a uma vida de ovos rolados no abismo.

Lembremos dos gatos, cachorros de rua,
tirados do seio da verdade nua
e levados à morte febril do facismo.

Lembremos da dor do bicho-ciência,
batizado no pus, posto em penitência,
pela lâmina fria que viola o abdome.

Lembremos da morte do bicho sem pele,
que adorna inerte os ombros das mulheres
que ostentam o nada e riem da fome.

Hoje tentamos ser dor, ser esperança.
Fagulhas verdes que se põem com o sol,
a pele no ombro, o touro espanhol,
o gato, o cachorro, a mãe e a criança.

Hoje somos nervo, vela e carniça
que grita um verso que nunca é ouvido
pois é soterrado no cego sentido.
Quando a morte é piada, gritamos justiça.

Pode ser pretensão, ou sonho comum,
da mente insensata, dita radical,
mas vamos lutar por um sonho afinal,
que muitos desprezam como sonho nenhum.

Então nesse dia, ou em todos do ano,
dizemos com orgulho de olhos marcados
que trazemos a alma e o pulso cerrado
fazendo a vigília de um sonho vegano.

3 comentários:

ortegal disse...

A expressão do chamado ao atenderam as pessoas que ainda ousam o risco do amor, da compaixão e da coerência.
Palavras que reacendem mais uma vez a chama que alimenta o meu coração. Muito orgulho amigo, irmão de luta!

Keisy Gazola disse...

Boa tarde, Daniel. Lindo o seu poema, parabéns. Gostaria de pedir sua autorização para recitá-lo em um sarau, claro que a autoria será sua, será o seu nome que estará no poema. Desde já agradeço

Kátia disse...

Daniel, vc não poderia traduzir melhor meu sentimento e, acredito, de todos os veganos. Me levou às lágrimas. Perfeito!